Cotidiano / Economia

Após melhor início de safra de todos os tempos, Banco do Brasil deve superar R$ 135 bilhões em crédito rural

Vice-presidente de Agronegócios do banco, Renato Naegele, comentou sobre demanda do setor

Gabriel Maymone Publicado em 19/08/2021, às 10h26

Vice-presidente de Agronegócios do BB, Renato Naegele
Vice-presidente de Agronegócios do BB, Renato Naegele - Ailton de Freitas / Valor Econômico

O Banco do Brasil prevê superar os R$ 135 bilhões em crédito rural anunciados para toda a temporada 2021/22, conforme o vice-presidente de Agronegócios do BB, Renato Naegele. A entrevista foi publicada no Valor Econômico.

O otimismo vem com o melhor começo de safra de todos os tempos em termos de empréstimos ao agronegócio. Foram mais de R$ 19,8 bilhões em apenas 33 dias úteis desde 1º de julho. Em comparação com os financiamentos liberados no mesmo período (1º de julho a 16 de agosto) do ano passado, o valor é 60,4% maior este ano. Assim, já foram fechadas cerca de 100 mil operações.

"Temos convicção de que isso é piso, porque a demanda no agro, que já veio acelerada desde o fim da safra passada, está muito forte. E não vai faltar recurso. Temos o compromisso do conselho diretor do banco de que a demanda por crédito rural e por títulos vai ser atendida", disse Naegele ao Valor Econômico.

Para se ter uma ideia do avanço no crédito rural disponibilizado pelo banco, na safra 2020/21 foram concedidos R$ 115 bilhões. Já para a safra 2021/22, o montante deve superar os R$ 135 bilhões.

Somente no Pronaf (Programa de Agricultura Familiar), o BB teve crescimento de 43,5%, com R$ 3,3 bilhões concedidos para quase 50 mil produtores.

Fortalecimento do agro

Líder em investimento no agronegócio — responsável por 54,4% do mercado de crédito rural no país —, o Banco do Brasil volta a se reaproximar do setor. "O banco estava distante de todos. Havia recuado nos últimos 3 ou 4 anos porque tinha restrição de capital e teve atuação limitada. Agora temos folga de capital e é natural que esse recurso, que significa uma oportunidade, seja aplicado", reforçou Naegele.

A carteira de negócios do BB alcançava R$ 205,9 bilhões na metade deste ano, que representa 9,7% a mais que em junho de 2020. Com isso, a perspectiva de crescimento no 2º semestre teve que ser reajustada para cima no último balanço da instituição, para um intervalo entre 11% e 15% até o fim de 2021.

Ofensiva para expandir oferta e clientes

O plano do BB para ampliar sua participação no mercado de crédito rural até dezembro de 2022 é dividido em cinco eixos e 35 ações.

O objetivo é avançar na disputa por clientes, entrar em novas cadeias, criar produtos e tornar os processos mais simples e digitais.

Um dos focos é reconquistar cerca de 60 mil clientes correntistas que continuam com conta ativa no banco, mas não contratam operações de crédito rural nos últimos anos.

No Mato Grosso, o BB iniciou projeto-piloto com filhos de agricultores: o BB Família Agro, que pretende incentivar a sucessão familiar no campo e permitir que jovens "herdem" as informações financeiras e o histórico de relacionamento dos pais com a instituição em vez de começar os negócios "do zero".

"A transformação digital no agro é parte da nossa estratégia, um caminho natural de propensão para tecnologia", declarou o vice-presidente de Agronegócios do BB.

Ainda conforme Naegele, já foi firmada parceria com a Andav (Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários). "Queremos oferecer produtos para elas [empresas que fazem parte da cadeia do agronegócio em geral] e para os funcionários e entrar no negócio em que hoje elas atuam, com o financiamento da aquisição de insumos", afirmou, completando que "a ideia é que eles cuidem do que sabem fazer, das ações de campo e venda dos produtos, e o Banco do Brasil seja o financiador".

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