Cotidiano / Economia

Restaurantes aprendem com capital paulista o jeito de inovar internacionalmente

Estabelecimentos se difereciam no mercado local, baseado em mix de serviço e produto especiais

Midiamax Publicado em 08/04/2015, às 19h41

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Estabelecimentos se difereciam no mercado local, baseado em mix de serviço e produto especiais

Eduardo Rejala passou quatro anos na Europa, onde fez a sua formação em Gastronomia, com trabalhos em Portugal, mesma realidade vivida pelo gerente de um de seus restaurantes em Campo Grande, Anderson Benitez, colaborador do Imakai. No entanto, foi com uma série de visitas experimentais à capital paulista, que ele, e os sócios desse empreendimento, tiveram a referência para a abertura do espaço que oferece a rara oportunidade ao sul-mato-grossense de ter, no seu Estado, uma cozinha de vanguarda internacional. A experiência gourmet, de inspiração importada, também faz parte da história de Rafaela Bransili com a Vintage Hamburgueria, também concebida a partir de uma vivência paulistana.

“É comum o cliente fazer essa comparação com locais desse gênero que ele tenha ido em outras cidades. É um conceito de lanchonete já mais conhecido pelo público fora daqui, e que em Campo Grande ainda precisa ser consolidado. Criei a hamburgueria depois de ter conhecido várias em São Paulo mas não tenho como repetir simplesmente as coisas de lá aqui. São gostos bem diferentes, que me fizeram já em um ano e meio trocar o cardápio três vezes”, diz Rafaela, que promete no seu estabelecimento um hambúrguer com 100% carne e feito com uma tecnologia diferenciada.

Ingredientes especiais, uma máquina específica para a confecção do hambúrguer, sanduíches que possuem o dobro de peso dos tradicionais, porém uma dificuldade comum a de várias lanchonetes de Campo Grande, e restaurantes, inclusive os que não são gourmet. Rafaela alega que o grande desafio para oferecer uma experiência exuberante e completa ao seu cliente depende de um fator que não é fácil dominar no Mercado local: a mão de obra. Com 18 meses de operação, a Vintage tenta constantemente formar uma equipe à altura da proposta única de gastronomia, e para conseguir isso fez questão de patrocinar a viagem de dois colaboradores à São Paulo, com o intuito de dar aos funcionários o mesmo parâmetro que Rafaela teve um dia antes de abrir o negócio.

Conhecer para oferecer

No Imakai-Cozinha Japonesa e Peruana a proposta de valorização do garçom e sintonia dele com o que oferece ao cliente também segue a mesma linha. Eduardo e os seus sócios, fizeram questão de gastar um mês, antes da inauguração, apenas para treinamento específico da equipe, onde o cardápio foi detalhado, o conceito da fusão das gastronomias minuciosamente explicado e cada um teve a chance de provar todas as opções do restaurante. De acordo com a empresa,  foi uma tática fundamental para que os colaboradores aumentassem o seu poder de apresentação do restaurante que nasceu com vocação cosmopolita.

“Outro dia uma cliente que provou o nosso tiramisu falou que a sobremesa do Imakai o permitiu lembrar de Milão, onde ele tinha comido algo do mesmo nível há alguns anos. Nosso público é o de pessoas que viajam e por isso a comparação é inerente, seja ela com lugares de outros países, ou com restaurantes de São Paulo, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte, por exemplo, mas com padrão internacional. Sei o quanto é ousada a nossa proposta de abrir um negócio assim dentro de um Shopping Center, que é na verdade propor ao nosso visitante esquecer o mundo lá fora. A cada detalhe demos importância, seja a decoração, o atendimento, a cerâmica, o erro tem que ser zero”, explica Eduardo sobre o Imakai.

A respeito do significado gourmet que o Imakai pretende desafiar o campo-grandense, a resposta é simples e objetiva: inovar baseado em uma pesquisa constante em outros Mercados além de aos poucos ter criações autênticas de gastronomia, como é o caso do ‘Sofia’, sushi criado por ele. Mas como acompanhar com tanta proximidade a realidade lá fora? Sendo um consumidor assíduo na Europa, nos Estados Unidos, no Peru “e quando não der para ir tão longe estar em visitas constantes ao que há de melhor em São Paulo-SP”, conta Eduardo, que irá revesar com os seus sócios quanto a esse invejável laboratório de Mercado.  

Com a palavra: ‘o especialista’

“Dos dois estabelecimentos do gênero alimentício vi o desejo pela inovação, de trazer para Campo Grande realidades de vanguarda de outras cidades, o que mostra o olhar o empreendedor local cada vez mais diversificado e pronto para atender um consumidor mais exigente e bem informado. O requinte das opções de produto, tanto na hamburgueria, assim como no Imakai, que propõe ao cliente neste caso uma sofisticação internacional, mostram esse desejo de dar ao morador daqui a chance de experiências que por muito tempo ele só teve fora, em viagens e que provavelmente marcaram sua vida. É um mercado novo que se abre e tem tudo para dar certo, no entanto chamo a atenção para uma necessidade mais ampla da apresentação dos propósitos, que poderia ser feita por meio de degustações ao público, medida que desmistificaria o medo e o receito do cliente em arriscar. Há de se pensar em ações de Marketing que proporcione essa aproximação e a partir dela gerar cadastros desses prospectados, que continuariam a receber informações e convite a esse serviço diferenciado. Serviço aliás que precisa acompanhar o patamar de alto nível do produto: mais do que em qualquer outro restaurante, nesses voltados para essa modalidade de encantamento é fundamental um atendimento exemplar, de atenção ao cliente, para ser lembrada positivamente como aquele paladar descoberto nessa viagem que o campo-grandense pode ter agora visitando um lugar do gênero gourmet”, diz o mentor de empresas, Eduardo Karmouche, consultor do Midiamax para assuntos de Inovação e Marketing.

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