Cotidiano / Consumidor

Anvisa libera medicamentos nas prateleiras direto ao consumidor; Campo Grande já aderiu

Donos de farmácias aderiram exigências de maneira inteligente: ou deixaram os remédios no mesmo local para a compra, mas com a orientação de um farmacêutico, ou fizeram expositores de vidro, de fácil visualização.

Arquivo Publicado em 27/07/2012, às 18h21

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Donos de farmácias aderiram exigências de maneira inteligente: ou deixaram os remédios no mesmo local para a compra, mas com a orientação de um farmacêutico, ou fizeram expositores de vidro, de fácil visualização.

Analgésicos, antitérmicos e outros medicamentos sem prescrição médica, que foram retirados do balcão de farmácias e drogarias de todo o país há quase dois anos e meio, voltam a ser expostos ao consumidor nesta sexta-feira (27).


Em Campo Grande, donos de farmácias aderiram as exigências de maneira inteligente: ou deixaram os remédios no mesmo local para a compra, mas com a orientação de um farmacêutico, ou fizeram expositores de vidro, de fácil visualização.


”Acredito que estes remédios não fazem mal a ninguém, já que a maior parte dos consumidores sempre compram o mesmo, de acordo com o que estão sentindo. Então, deixamos no mesmo local e contamos com a ajuda de farmacêuticos para a orientação”, afirma o gerente de uma grande rede de farmácias da Capital, Jurandir Oliveira Leite.


Em outra farmácia, inaugurada há dois anos na cidade, o dono já iniciou as vendas em um balcão com expositores de vidro. “Com a mudança na resolução, não vamos fazer nada, principalmente para evitar a automedicação”, garante a farmacêutica Érika Gomes de Souza.


Ela cita ainda uma pessoa que queria comprar Dorflex e Nevralgex para dores. “Ambos possuem o mesmo princípio ativo, com cafeína e dipirona sódica. A pessoa estaria se automedicando com doses a mais de um mesmo remédio, apenas feito por fabricantes diferentes”, fala a farmacêutica.

‘Farmacinha’ sempre cheia em casa


Cliente confessa de remédios para manter sempre cheia a sua ‘famacinha’ em casa, a atendente Veridiana de Andrade Barreto, afirma que a culpa das pessoas se automedicarem é do SUS (Sistema Único de Saúde).


“Se você vai em um posto de saúde, o médico mal te observa e o diagnóstico é sempre uma virose. Ele te prescreve uma dipirona ou paracetamol, por exemplo. Sabendo do vício do SUS, as pessoas vão lá e compram estes medicamentos”, opina Barreto.


Do mesmo vício sofre o marido de Luciene da Silva Frazão. A assistente social conta que ele está no hospital neste momento e que o motivo é a super dosagem de remédios. “ Eu fazia a mesma coisa e por sorte descobri que o motivo do meu inchaço no rosto e bolhas espalhadas pelo corpo eram da minha alergia a dipirona. Desde então nunca mais tomei remédios sem passar por um médico”, garante a assistente social.


Ao todo, 2,3 mil remédios poderão ser expostos nas prateleiras.


A justificativa da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é de que a retirada dos remédios em nada alterou o perfil de intoxicação das pessoas, por isso o órgão alterou a resolução n° 44, de fevereiro de 2010 e liberou a exposição de 2,3 mil produtos isentos de prescrição médica, que podem ser oferecidos pelo balconista.


CRF/MS acredita que nova alteração na lei seja um retrocesso


Na ocasião da proibição, a Anvisa recebeu cerca de 70 processos e centenas de reclamações de todo o país, inclusive do CRF/MS (Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul).


“Nosso posicionamento se deve principalmente por conta da automedicação. Quando a pessoa sente uma dor de cabeça, esse pode ser o sintoma de uma doença muito mais grave. E, comprando um remédio sem passar por um médico ou até mesmo conversar com um farmacêutico, o paciente pode estar ‘mascarando’ a sua doença, apenas aliviando temporariamente os sintomas de um grande problema”, explica o presidente em exercício do CRF/MS, Wilson Hiroshi.


Além da automedicação, o presidente acredita ser inaceitável a justificativa do órgão para a mudança. “A Anvisa disse que fez uma consulta pública para tal medida, que deve ser feita de 60 a 90 dias. Mas o estudo durou apenas um mês e foi feito em São Paulo, cidade que não estava valendo a portaria e as pessoas não deixaram de vender no balcão os medicamentos”, afirma Hiroshi.


Quando proibida a exposição, medida desagradou fabricantes e farmacêuticos


Na ocasião da proibição da venda, em sua maioria, a decisão não agradou indústrias farmacêuticas e as redes de farmácias, já que estes remédios indicados para dores de cabeça, acidez estomacal, azia, febre, tosse, prisão de ventre, aftas, dores de garganta, assaduras, hemorroidas e congestão nasal correspondem a 30% do volume de vendas nas farmácias.


“Com certeza o retrocesso na resolução ocorreu por conta da pressão de indústrias e farmácias, que perdem com o lucro e com a venda”, avalia Hiroshi.


Afixado em cartazes, as farmácias deverão ter a seguinte orientação: “medicamentos podem causar efeitos indesejados. Evite a automedicação: informe-se com o farmacêutico”, além de expor, no mesmo local, os remédios de mesmo princípio ativo, para facilitar a identificação dos produtos pelo usuário.


Diferente de Mato Grosso do Sul, nos últimos meses, onze Estados, entre eles São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Acre, Ceará, Pernambuco, criaram leis estaduais e reverteram a decisão da Anvisa.

Jornal Midiamax