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Cotidiano

‘Não existe mais temporada de incêndios’, diz Bombeiros sobre campanha permanente em MS

Atualmente são 6 guarnições de combate a incêndios dentro do Pantanal
Priscilla Peres, Jennifer Ribeiro -
Atuação em incêndios florestais (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)

Em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19, vimos 3 milhões de hectares serem consumidos pelas chamas no Pantanal. O desastre ambiental ocorreu junto de ações desesperadas de todas as esferas, mas deu início a um novo cenário em Mato Grosso do Sul. Quatro anos depois, o Estado passa de ações de combate aos incêndios para uma campanha permanente de prevenção.

Nesta terça-feira (9), o governo do Estado assinou decreto que estabelece emergência ambiental por 180 dias em todo o Mato Grosso do Sul e lançou campanha de prevenção aos incêndios. A situação de seca do Rio Paraguai, em plena época de chuva, acendeu um alerta para o cenário que está por vir.

“A grande diferença é que não existe mais temporada de incêndio. É temporada o ano todo. Estamos já realizando ações preventivas, para evitar surpresas no período crítico, que é entre junho e agosto, quando chove muito pouco”, afirma Frederico Reis, comandante geral do Corpo de Bombeiros de MS.

De acordo com ele, atualmente são 6 guarnições de combate a incêndios dentro do Pantanal, sendo três em áreas de amortecimento dos parques e três dentro do Pantanal, atuando neste momento nas cabeceiras de pontes, para evitar a queima como foram registradas em anos anteriores.

R$ 25 milhões em recursos para os Bombeiros

De acordo com o Governo do Estado, o Corpo de Bombeiros tem R$ 25 milhões em recursos este ano para aplicação na prevenção e combate de incêndios. Entre a estrutura movimentada, há três helicópteros com equipamentos para apagar incêndios e transportar pessoal.

O recurso deve ser usado para custear as ações, incluindo combustível, pagamento de mão de obra, diárias e equipamentos necessários para atuação no Pantanal. Também há a estruturação de bases Avançadas do Corpo de Bombeiros, para reduzir o tempo de resposta de chegada a locais críticos.

“Vamos ocupar esse recurso para evitar milhares de hectares queimados, com prejuízo para a fauna, para os produtores. O fogo é uma realidade e temos que saber e aprender a lidar com isso de forma madura e superando o que ocorreu em 2020”, disse o governador Eduardo Riedel.

Estado terá queima prescrita, entenda

Entre as ações de combate aos incêndios florestais em Mato Grosso do Sul, o governo do Estado estabeleceu a queima prescrita em áreas com grande potencial para incêndios florestais. A decisão consta no decreto de emergência ambiental assinado nesta terça-feira (9).

O Governo do Estado afirma que a queima prescrita entra no Manejo Integrado do Fogo e é uma maneira de prevenir grandes incêndios florestais, principalmente na época mais crítica e de grande vulnerabilidade ambiental. Na prática, a queima será feita por decisão do Governo e com acompanhamento do Corpo de Bombeiros.

A técnica é utilizada por diversos órgãos ambientais como forma de prevenir incêndios florestais, mas requer o cuidado de ser realizada junto com profissionais do Corpo de Bombeiros. A queima prescrita é indicada pelo próprio ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Rio Paraguai caminha para pior seca da história de MS

O nível do Rio Paraguai, em Ladário, caminha em 2024 para atingir o pior nível histórico de seca já registrada em Mato Grosso do Sul. Nesta semana, a régua de Porto Esperança marca 7 centímetros, sendo que indicação de 35 cm já é considerada estiagem. A situação é crítica e pode estar relacionada com as mudanças climáticas e as consequências nas temperaturas e ciclo de chuvas.

Pesquisador da Embrapa Pantanal, Carlos Padovani, acompanha há anos o comportamento dos rios de Mato Grosso do Sul, principalmente na bacia do Paraguai e afirma que o cenário atual é preocupante. A referência usada por ele é o nível do Rio Paraguai na régua de Ladário, que representa 80% da baía e tem histórico de 123 anos.

O principal alerta é que, nesta época do ano, a região pantaneira encerra o período de cheias e inicia a estiagem, mas os rios não encheram como era esperado. As altas temperaturas, aliadas a irregularidade e pouco volume de chuvas, afetam diretamente a bacia do Pantanal e, consequentemente, o nível dos rios.

“Tem chovido, mas a chuva não tem influenciado no nível dos rios porque é necessária muita chuva para infiltrar no solo e encher os rios, mas as chuvas estão irregulares e está muito calor, o que também contribui para que a chuva não seja suficiente”, explica o pesquisador.

Com chuvas irregulares e rios secos, outras duas graves consequências acontecem: falta de navegabilidade na hidrovia e tendência a incêndios.

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