O que deveria ser espaço de ensino para alunos da rede municipal dá lugar ao abandono de uma obra embargada. A promessa de ampliar as vagas de ensino com a construção da escola no bairro Celina Jallad está paralisada há quatro anos. O Jornal Midiamax visitou a unidade e encontrou um verdadeiro “cemitério” de fiação que teria sido furtada da região.

O prédio é tomado pelo matagal, a estrutura continua no concreto, com as telhas depredadas. Há pichações, incluindo símbolos nazistas e de facções. Para se ter uma ideia, o lixo conta com sofás e uma televisão.

Usuários de drogas e moradores em situação de rua fazem do local um abrigo improvisado, em meio ao acúmulo de entulho de vários tipos de recicláveis. Da fiação elétrica só sobraram o plástico, com o chão queimado, sinalizando que houve ação para retirada do cobre para a venda.

Entulho e matagal na unidade paralisada (Nathalia Alcântara, Midiamax)

Acostumados com abandono

Com o passar dos anos e a obra parada, instaurou-se entre os vizinhos a sensação de se acostumar com a escola definhando. Aliás, o Celina Jallad foi criado com a expectativa de aproximar a comunidade mais carente de projetos sociais e educativos, mas exibe nos noticiários o crescimento do tráfico de drogas, operações policiais e mortes por disputa do crime.

Um comerciante, que preferiu o anonimato, explica que o “elefante branco” do bairro amplia a vulnerabilidade social, já que, consequentemente, o número de usuários de droga que utilizam a estrutura escolar aumentou.

“A cada 30 minutos tem um pedindo um salgado. Algo precisa ser feito, é dinheiro público jogado fora. A guarda e a PM sempre passa, mas aqui tem um problema sem solução. O que eu não vejo é a assistência social”, descreve.

Uma trabalhadora da região diz que recentemente ficou surpresa ao encontrar um morador em situação de rua com o rosto machucado, que teria brigado com outro nas proximidades da escola. “Estava com o olho roxo e a cara toda inchada, eles brigam entre eles. Eles trabalham na rua e compram droga”.

Outro morador, um idoso que não quis se identificar, mudou-se há alguns meses e diz que percebe o problema antigo. “A gente sempre vê a movimentação de usuários de droga aí”.

(Nathalia Alcântara, Midiamax)

Parada por falta de repasse

O Jornal Midiamax apurou que a falta de repasses é a principal causadora do abandono. Isso porque, segundo a Prefeitura de Campo Grande, a primeira empresa responsável pela edificação pediu rescisão de contrato, e seria feito uma nova licitação para conclusão da obra. O trabalho foi iniciado em 2018, até que outra construtora venceu o processo licitatório e retomou as obras. Porém, o Governo Federal não efetuou o repasse do ano de 2020 e, por esse motivo, a obra foi paralisada. A obra seria retomada assim que o Governo Federal voltasse a efetuar os repasses necessários.

Segundo a prefeita Adriane Lopes, a retomada da construção será uma prioridade nos próximos meses e disse que está buscando repasses. “O nosso foco são as 13 obras paralisadas de Emeis (Escola Municipal de Educação Infantil) que quando eu assumi a gestão, nós fomos a Brasília buscar recursos. Oito vamos entregar agora, já estão em andamento as obras. Tem uns que estão começando a obra, outros já foram licitados e outros estão sendo concluídos”.

(Karina Campos e Clayton Neves, com colaboração Karine Alencar).