Com incêndio que atinge a região do Pantanal sul-mato-grossense desde o início de junho, representantes do Governo Federal, Estadual e também de Mato Grosso se reuniram nesta terça-feira (18) em Campo Grande. Um dos principais temas levantados é a necessidade de conseguir mais aeronaves para levar equipes até a região.

O secretário executivo do Meio Ambiente da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Artur Falcette, afirmou em entrevista coletiva que, dentre os temas tratados na reunião, destaca-se uma das principais demandas junto ao Governo Federal, que seria de apoio através da cessão e uso de aeronaves e deslocamentos de equipes para os locais dos focos dos incêndios.

“Há disponibilidade de homens, tanto do Corpo de Bombeiros, como de outras instituições que estão atuando na ponta, como o PrevFogo do Ibama, então o acesso é importante, o deslocamento para as trocas de turma e toda essa dinâmica depende de aeronaves”, disse o secretário. 

Para isso, o secretário destacou que tem solicitado também junto a outros estados o apoio com aeronaves. “O apoio que necessitamos é para o acesso das equipes, deslocamentos, e para isso acontecer é importante manter o diálogo e essa integração, para que ela flua até as instância de tomada de decisão”, ressaltou.

Esta é a terceira reunião de alinhamento entre os governos federal e estadual (MS e MT) buscando articulação entre os níveis para maximizar a eficiência na coordenação do combate. 

“Estamos estabelecendo como vai funcionar no dia a dia a articulação das decisões, tanto de caráter político, que demandam recursos, por exemplo, do Governo Federal, do Ministério da Defesa, Ministério da Integração, com os órgãos dos estados, mas também em nível operacional, de linhas de frente de combate, quanto às prioridades de combate”, afirmou.

Segundo o secretário executivo, o fato das queimadas terem se antecipado ao previsto no calendário demanda uma capacidade de articulação. “Sabemos que os incêndios acontecem a partir de agosto, mas neste ano começou três meses antes”, disse.

Para isso, foi realizada na última semana uma reunião com o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, que chamou uma reunião extraordinária do Comitê Interministerial que trata da questão dos desmatamentos e queimadas que, por sua vez, criou a sala de situação na sexta-feira. 

“Ontem nós fizemos a primeira reunião da sala de situação, coordenada pela Casa Civil, onde nós apresentamos um conjunto de demandas e necessidades do ponto de vista de logística, de aeronave, de embarcação, de comunicação”, disse Lima.

Fogo controlado

Questionado sobre quais as principais ações e planejamento para controle a longo prazo, Falcette disse que o Governo do Estado visa intensificar estratégias preventivas como o uso do fogo controlado.

“Quando você queima preventivamente, esse fogo é controlado, a fauna não sofre e essa área fica menos vulnerável a um incêndio descontrolado. Esse sistema tem que ser cada vez mais estudado, implementado, inclusive, com treinamento, capacitação, recursos e apoio, também nas propriedades rurais, onde hoje acontece mais de 95% dos incêndios florestais no Pantanal, em áreas de propriedades rurais e terras de comunidades”, explicou.

Atual situação das queimadas

Atualmente, estão alocados para combate aos incêndios no Pantanal Sul-mato-grossense o efetivo de 110 militares empenhados, sendo cinco do Exército e dez da Marinha, sendo que os demais são do Corpo de Bombeiros.

São registrados 1.241 focos de queimadas em 2024 no município de Corumbá, sendo o primeiro no ranking nacional de focos por cidade, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Os incêndios florestais ocorrem em período mais crítico entre julho e setembro, porém são 1.269 focos no Pantanal em 16 dias de junho.

Além do Corpo de Bombeiros, várias brigadas combatem os incêndios no Pantanal, como a Brigada Alto Pantanal, gerida pelo IHP (Instituto Homem Pantaneiro), mas enfrentam várias dificuldades. A fumaça, o calor, a baixa umidade relativa do ar e principalmente a dificuldade no acesso são os principais desafios.

Conforme monitoramento do Corpo de Bombeiros foram 107 mil hectares queimados na região do Pantanal de Mato Grosso do Sul nos últimos 60 dias.

Em 10 de abril, o Governo de Mato Grosso do Sul publicou o decreto n° 25 que declara estado de emergência ambiental em todo o Estado, por 180 dias, devido às condições climáticas que favorecem a propagação de focos de incêndio sem controle.