Representantes de 16 comunidades tradicionais e povos de terreiros de Dourados se reuniram em protesto contra as recentes demonstrações de intolerância religiosa feitas em comentários de internautas. O ato público aconteceu neste sábado (25) e está relacionado ao contexto das violações de túmulos em Ponta Porã, a partir de comentários preconceituosos feito nas redes sociais.

“Não somos comedores de carne humana. Temos famílias, profissões e contribuímos para o desenvolvimento da nossa cidade”, afirma Naiara Fonteles, líder do Makota do Ilê Axé Megemulebaonã. Ela é uma das representantes das comunidades de religiões originadas de matrizes afro-brasileiras presentes no ato.

“A gente precisa dar uma resposta efetiva para a sociedade de Dourados e um basta, porque a gente não aceita mais e não vai aceitar qualquer tipo de intolerância ou de racismo religioso que é praticado contra nossas comunidades e merecemos respeito”, comenta Naiara.

Além das manifestações com pronunciamentos realizados na Praça Antônio João, que contou com a participação de representantes de outros segmentos, como os vereadores Elias Ishy (PT) e Olavo Sul (MDB), foi realizada uma marcha pelo fim da intolerância. A caminhada com cânticos afros e em defesa da paz percorreu diversas ruas da região central da cidade.

Entenda a polêmica

O ato que aconteceu na principal praça de Dourados é uma continuidade de outras medidas que já foram adotadas pelas comunidades que se sentiram ofendidas nas redes sociais. Entres elas,  está o pedido de abertura de uma notícia crime contra uma empresária da cidade.

“Devem ser os macumbeiros para fazer algum trabalho de destruição”, disse uma das mulheres. “(…) sim e ainda come carne humana”, comenta outra conta assinada por uma empresa e que logo em seguida foi apagado.

No pedido protocolado na PF (Polícia Federal), em Dourados, pelas advogadas Aline Cordeiro Pascoal Hoffman, Nathaly Conceição Munarini Otero e Renata Karolyne de Souza, duas internautas são acusadas prática dos crimes de vilipêndio religioso, racismo religioso, calúnia e difamação. A peça é assinada por sete comunidades.