O passeio de dezenas de motocicletas por , na madrugada deste domingo (17), acordou muitos moradores devido às buzinas e o barulho alto do escapamento. 

O passeio, que começou por volta de 23h40 na região do Terminal Morenão, percorreu vários bairros da cidade, como Guaicurus, Nhanhá Nhanhá e Júlio de Castilho, até encerrar por volta de 2 horas na região do Imbirússu, com a reunião de veículos de diversas cilindradas. 

Nas redes sociais, muitos moradores soltaram opiniões contra e a favor do passeio. Nos comentários da página Passeando em Campo Grande, por exemplo, internautas reclamaram do horário em que foi feita a motociata. 

“Acabaram de passar aqui na Guaicurus! Na minha opinião, gente, depois das 23h não precisa fazer tanto barulho não! Tem muitas pessoas dormindo nessas horas!”, disse uma moradora. 

“O que tá acontecendo é o mesmo que acontece com os carrão e os motões lá na Afonso”, ponderou outra pessoa. 

“Algazarra, só pra incomodar”, reclamou outro usuário. 

“[…] isso é um passeio noturno. Se fossem motos grandes ninguém tava falando nada, apenas admirando, mas como são os ‘titanzeiros' a maioria reclama, mas na hora de pedir um delivery não lembra disso, né…enfim a hipocrisia”, defendeu outro. 

Vale lembrar que o CTB (Código de Brasileiro) prevê infração grave e de R$ 195,23 para motos que têm escapamento alterado e multa leve de R$ 88,38 para uso indevido de buzina, como uso prolongado entre 22h e 06h. 

Passeio é lazer de trabalhadores

O passeio foi promovido pela página Noturno 67. Um dos organizadores, Eduardo Felipe, de 23 anos, explica que a motociata é uma forma de e de desestresse para os participantes depois de uma longa semana de trabalho. 

A maioria dos motociclistas são motoentregadores que trabalham o dia e a noite toda e não tem tempo para fazer algo diferente durante a semana.

“Tem muito entregador que gosta de andar em meio a multidão, mas a gente não faz pra perturbar, a gente trabalha o dia inteiro, a gente não tem tempo para andar pela cidade. Nós organizamos esse passeio mais pela felicidade das pessoas, não é com frequência porque acaba sendo muito visível”, explica Eduardo. 

O próprio Eduardo trabalha mais de 12 horas por dia. No horário comercial, ele é empregado como auxiliar de almoxarifado. Chega em casa às 17h30 e às 18h já precisa entrar no outro serviço como entregador, onde segue até às 23h. 

Mensagens sobre a motociata. (Reprodução)

Já sobre a questão do horário, ele diz que o passeio começa tarde porque é o horário em que os motoentregadores saem do serviço, que são boa parte dos participantes. 

No caso da madrugada deste domingo, o motivo do passeio foi de lazer e não tem ligação com nenhum movimento. Outro ponto destacado, é que eles procuram passar longe de hospitais para tentar causar menos incômodo possível. 

“A gente faz o rolê pela nossa felicidade, a gente tira muitas pessoas da depressão, mas ontem a gente não tinha ideia que ia ter essa proporção. Eu estimo que foram 300 pessoas, mas não estávamos esperando tudo isso”, pondera. Ele acrescenta que sempre procuram pontos de encontros que sejam afastados de residências. 

Em grupo de troca de mensagens, alguns participantes deram as impressões sobre o passeio e ressaltaram como as crianças da periferia gostaram de observar as motos passando perto de casa. Eduardo diz que as crianças da periferia são grandes fãs e observadoras da motociata.

“Foi lindo e emocionante ontem, as crianças vibrando ao ver passar”, disse uma moradora. 

Contudo, o administrador da página diz que há anos o grupo pede um espaço público em que possam fazer barulho e manobras fora do espaço urbano. 

“A gente procura ter um espaço, eu já conversei com um político anos atrás, mas não foi para frente. Eles não conseguem ver que o nosso público é alto. Eu queria muito conversar com alguma autoridade e ter autorização e evitar problemas, como acidentes ou brigas”, expõe Eduardo. 

Ações sociais

Eduardo expõe que todos estão unidos no grupo e que, com cerca de três meses de página, já planejam a terceira ação de solidariedade. Desta vez, eles planejam fazer arrecadação de doces, brinquedos, alimentos e roupas para as crianças da periferia de Campo Grande. 

“Eu mesmo busco, o da dona Ramona [uma mulher que recebeu doações do grupo] eu mesmo busquei, tudo para recolher as coisinhas para ela. Pode ligar a qualquer hora que a gente arranjar um tempinho para buscar para a gente se organizar. Tudo é bem-vindo, vamos levar para os bairros da periferia”, diz Eduardo. 

O contato do Eduardo para conversar sobre as doações é (67) 99213-0999.