Pilhas e baterias são itens comuns no cotidiano da maioria das pessoas. São elas que alimentam uma ampla gama de dispositivos eletrônicos – de controles remotos a brinquedos e relógios.

No entanto, esses dispositivos têm uma vida útil limitada e, eventualmente, esgotam sua capacidade de armazenar , necessitando de substituição regular.

Mas, para onde vão as pilhas e baterias quando elas não servem mais? É onde mora o problema. Isso porque muitas pessoas desconhecem que descartar esses resíduos no lixo comum pode ser perigoso e causar danos significativos ao meio ambiente, além de impactar a saúde da população.

Segundo dados de uma pesquisa realizada em 2017 pela (Organização das Nações Unidas), o Brasil é o sétimo maior produtor de lixo eletrônico do mundo, gerando aproximadamente 1,5 milhão de toneladas por ano.

Qual tipo é menos tóxico ao meio ambiente?

Quanto aos tipos de pilhas, as alcalinas são uma opção mais segura, pois vazam menos e não contêm mercúrio, chumbo ou cádmio. No entanto, também devem ser destinadas à reciclagem.

As pilhas de lítio/dióxido de manganês são ainda mais perigosas, pois podem provocar chamas. Por isso, também não devem ser jogadas em lixo comum – principalmente em locais úmidos, já que a umidade é o principal fator que desencadeia o fogo no caso deste item.

Um dos principais desafios associados às baterias é o predomínio do método pirometalúrgico em detrimento do hidrometalúrgico, o que resulta na contaminação atmosférica por óxidos de enxofre (SOx) e partículas de chumbo.

Vale lembrar, ainda, que as baterias de níquel/cádmio contêm cádmio, uma substância altamente tóxica para o meio ambiente. Devido ao problema ambiental gerado por elas, surgiram as baterias hidreto metálico/óxido de níquel. Contudo, ambos os tipos não devem ser descartados na natureza.

Também existem as baterias compostas por íons de lítio, que representam um risco ambiental menor em comparação com as de cádmio, mas que também requerem destinação adequada por meio da reciclagem.

Riscos ambientais e doenças graves

A Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) explica ao Jornal Midiamax que o descarte inadequado pode resultar na contaminação do solo e da água devido aos metais pesados utilizados em sua composição.

Além disso, em alguns tipos de pilhas e baterias, a presença de itens como chumbo, mercúrio, níquel e cádmio é capaz de provocar doenças renais, cânceres e problemas relacionados no sistema nervoso central.

Contudo, a falta de informação sobre os locais adequados para o descarte faz com que a população, frequentemente, jogue esses itens no lixo comum, onde podem se romper e liberar componentes tóxicos no ambiente.

E como fazer o descarte correto?

Ponto de descarte em Campo Grande (Henrique Arakaki / Midiamax)

O descarte adequado às pilhas e baterias é realizado conforme a logística reversa, ou seja, distribuidores e comerciantes de pilhas e baterias devem disponibilizar aos consumidores coletores para o recebimento desses materiais inservíveis, conforme prevista na Lei Federal nº 12.305/10. Em Campo Grande, existem 51 pontos de coleta espalhados pela cidade. Confira-os clicando AQUI.

Segundo o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), a responsabilidade pelo recolhimento e encaminhamento adequado desses itens recai sobre os fabricantes. Assim que os materiais são entregues aos estabelecimentos comerciais ou assistências técnicas autorizadas, os resíduos devem ser repassados aos fabricantes ou importadoras.

Outro cuidado essencial na hora de descartar é com relação às pilhas “piratas”. Devido à sua procedência duvidosa, esses itens costumam ser mais baratos do que as pilhas regulamentadas, mas podem conter níveis elevados de metais muito mais tóxicos. Portanto, evite o uso dessas pilhas.

Após o descarte correto, as pilhas e baterias podem ser recicladas, reutilizadas ou submetidas a tratamentos que garantam um descarte ambientalmente seguro. Vale ressaltar que a Solurb, empresa responsável pela coleta seletiva em Campo Grande, não recolhe esses materiais.

Descarte incorreto pode gerar multa

Obra da Usina de Triagem de Lixo da CG Solurb, em 2015. (Foto: Jornal Midiamax/Arquivo)
Obra da Usina de Triagem de Lixo da CG Solurb (Jornal Midiamax/Arquivo)

É considerada poluição ambiental qualquer alteração das condições físicas, químicas ou biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante de atividades humanas, sendo proibido o lançamento ou liberação de poluentes, direta ou indiretamente, nos recursos ambientais, conforme o Código de Polícia Administrativa do Município.

Conforme a Semadur, a para o descarte incorreto varia entre R$ 2.944,50 e R$ 11.778,00 e a denúncia pode ser realizada via Central de Atendimento 156.

Saiba Mais