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Cotidiano

Morte de bebê de 3 meses vira batalha judicial entre mãe e médicas da Santa Casa

Mãe denuncia que houve demora no atendimento e negligência dos médicos especialistas, mas Santa Casa afirma que todas as medidas foram tomadas
Lethycia Anjos -
idoso
Santa Casa de Campo Grande (Foto: Arquivo Midiamax)

Dois meses após a morte de Caleb Montalvão Milano, de 3 meses, falecido no último dia 9 de maio, pais e médicas da Santa Casa de travam uma disputa judicial. De um lado, a família acusa o hospital de negligência, do outro, as médicas processam a mãe por difamação.

Segundo a advogada da família, Janice Andrade, as duas médicas moveram um processo contra a mãe, Gabrielle de Souza Montalvão, de 23 anos, alegando difamação.

Quatro dias após a morte de Caleb, ainda abalada pelo luto, Gabrielle escreveu uma avaliação negativa das médicas nas redes sociais. No texto, ela contesta a conduta das profissionais e alega que o filho foi vítima de negligência.

“Omissa e incompetente, salvem os seus filhos não acompanhe com essa ‘dra’ eu não tive essa oportunidade com o meu anjinho”, diz trecho da mensagem.

No processo, as duas médicas alegam que ficaram completamente abaladas ao verem a avaliação, considerada por elas “extremamente ofensiva”. Ainda conforme o processo, as profissionais afirmam ter prestado todo o suporte necessário à criança. Contudo, o paciente não respondeu às intervenções e morreu.

“O falecimento do menor resultou de uma condição de saúde pré-existente, e não houve em momento algum falhas, omissões ou falta de compromisso e profissionalismo no que diz respeito ao cuidado da saúde da criança”, diz o processo.

Em contrapartida, a mãe denuncia que o filho não morreu em decorrência de infecção como consta no atestado de óbito. Na denúncia, ela alega que as médicas mentiram ao colocar ‘choque séptico’ como causa da morte e que seguirá em busca de justiça.

“Vamos responder à ação e apresentar as provas que o bebê não morreu por infecção como as médicas alegam. Temos exames que constam que ele não estava com nenhuma infecção ou choque séptico. Caleb morreu por negligência e omissão”, defende a advogada.

Para a advogada de defesa, o processo movido pelas médicas cardiopediatras é um meio de tentar silenciar a mãe.

“É uma forma das médicas atacarem a vítima, usando o de uma mãe em luto. Sempre orientei minha cliente a não escrever nada nas redes sociais, mas ela tinha acabado de perder o filho, estava abalada”, disse Janice.

Ainda segundo Janice Andrade, a família irá mover um processo de reparação civil contra a Santa Casa, e as duas médicas.

Entenda o caso

Caleb nasceu na Santa Casa – hospital referência em cardiologia pediátrica em – no dia 26 de janeiro de 2023 com cardiopatia congênita. Por ser portador da doença, o bebê precisava de intervenções cirúrgicas aos 6 meses de idade, de acordo com a necessidade de evolução do quadro clínico.

Em 7 de maio, Caleb teria apresentado sinais de descompensação e a mãe o levou até a Santa Casa. O bebê deu entrada no hospital às 9h, com saturação em 45% e outros sintomas, o que representava alto risco à sua saúde.

Contudo, a mãe alega que a primeira medicação e suporte médico só teriam sido oferecidos ao paciente após quatro horas desde a sua entrada na unidade de saúde. “Após implorar muito à equipe médica plantonista, pois a cianose piorou muito, a criança estava toda roxa”.

Às 13h do mesmo dia, Caleb foi para a área vermelha do hospital e a Santa Casa teria solicitado a presença imediata da médica cardiologista pediátrica. No entanto, nenhum médico especialista teria avaliado o paciente.

“Às 22h do dia 7/5/2023, o quadro foi se agravando, e a criança foi encaminhada para a UTI, sem qualquer avaliação de cardiologista pediatra. Tampouco realizaram o exame de ecocardiograma, ou seja, o básico nesses casos, mesmo com inúmeras ligações e tentativas de acionar o SAC, inclusive foi informado que não havia cardiologista pediátrica no hospital”, alega a defesa da mãe de Caleb.

Segundo a denúncia, o óbito de Caleb foi registrado no dia 9 de maio à noite. “Sendo que quaisquer procedimentos que poderiam salvá-lo e estabilizar seu quadro cardíaco foram suspensos, inclusive não havia novamente cardiologista pediátrico no hospital, após muitas ligações ao SAC e ao consultório da cardiologista”.

Em 16 de maio, Gabrielle registrou boletim de ocorrência contra a Santa Casa, onde alegou omissão do hospital e demora em atendimento especializado por falta de cardiologista pediátrico, o que teria culminado na morte de seu filho de três meses.

Santa Casa diz ter dado todo o suporte necessário

Em comunicado oficial divulgado em 16 de maio, a Santa Casa alega que Caleb deu entrada na unidade hospitalar em 7 de maio e que foi prontamente atendido pela equipe da área vermelha da pediatria e identificado o estado grave de insuficiência respiratória.

“Após estabilização inicial, a internação em UTI foi solicitada, assim como o preenchimento de papelada e o acionamento da médica cardiologista de sobreaviso. O paciente foi subsequentemente encaminhado ao leito de UTI e o ecocardiograma foi solicitado. A médica cardiologista posteriormente realizou o exame, constando no laudo ‘Ventrículo Direito com dilatação de Grau Moderado’, o que em geral configura sinal de insuficiência cardíaca”.

O Hospital ainda alega que foram tomadas diversas medidas, como melhora do suporte de oxigênio, redução de aporte de líquidos e infusão de diuréticos em mais alta dose, a fim de diminuir a sobrecarga cardíaca.

“Todavia, mesmo após contínuas medidas de otimização, na madrugada do dia 8/5 para o dia 9/5, o pequeno mostrou sinais de que seu coração não conseguiria mais suportar, apresentando piora do padrão cardiorrespiratório e evoluindo para intubação orotraqueal. No transcorrer do dia, para o pesar de todos, o quadro não melhorou. Nosso apoio psicológico deu suporte à família na sua angústia pela piora do bebê, e às 20h38 daquele dia 9/5, infelizmente Caleb faleceu”.

Conforme o hospital, todas as medidas foram tomadas para dar suporte ao paciente, mas a doença se agravou sobremaneira e não foi possível evitar o óbito do bebê.

“A Santa Casa se mantém consciente de seu dever para com a população e não se furta em empreender todos os esforços em favor da vida, mesmo que, por vezes, não tenhamos sucesso diante da inevitabilidade da morte”, conclui a nota.

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