Estudantes da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) participam de manifesto motivado por reclamações sobre falta de proteína e até aparecimento de larvas no Restaurante Universitário, localizado no campus de Campo Grande. Segundo acadêmicos, o descaso acontece há anos.

O Centro Acadêmico de Biologia (Cabio) publicou carta aberta na quarta-feira (15) direcionada ao reitor e a pró-reitoria da instituição. No post, os alunos reforçam que o documento serve para “manifestar a profunda indignação sobre o desrespeito com os estudantes que frequentam o Restaurante Universitário da UFMS”, especialmente em caso ocorrido no dia 13 de março.

Em seguida, explica que estabelecimento não está cumprindo com o acordo firmado desde o retorno das atividades presenciais em decorrência da pandemia de Covid-19. Segundo o Cabio, a principal reclamação é a falta de proteína no prato servido pelo RU.

“O principal fato está em não servir a quantidade correta das principais fontes de proteína do cardápio (carne bovina, suína, etc) que devem ser de 140g, tanto nas refeições de proteína animal, quanto nas refeições vegetarianas. Além disso, a guarnição é fracionada em quantidade inadequadas, frequentemente não menores que a porção de proteínas”, diz.

Em seguida, publicação pontua a má higiene dos alimentos e cita o aparecimento de larvas de insetos nas saladas e frutas servidas com fungos. Assim, o Cabio afirma que estudantes não tolerarão mais o “desrespeito com a comunidade estudantil” e exige a revisão do fornecedor de comida e do contrato com a UFMS, o uso de balança para garantir a quantidade adequada de proteína e revisão nos protocolos de higiene do restaurante.

Confira o post:

Os casos foram relatados no próprio perfil do Segredos UFMS nos últimos dias, onde alunos compartilham o dia a dia acadêmico:

Situação acontece desde 2018

Segundo mestrando de biologia da UFMS, que preferiu não se identificar, a situação acontece desde pelo menos 2018.

“É a segunda ou terceira empresa que passa pela administração do RU que acontece esse descaso conosco, e mesmo diante de muita reclamação com a UFMS, nada é feito. Em específico da empresa atual, isso acontece praticamente desde o contrato. As primeiras duas semanas foram tranquilas e bem servidas, depois começou novamente essa falta da proteína”, diz.

O acadêmico ainda explica ao Jornal Midiamax que o restaurante serve pouca carne e acompanhamento de forma inadequada na maioria dos dias. Segundo o mestrando, o RU cobra R$ 15 no prato, mas sai de R$ 3 a R$ 7 para quem tem registro no CadÚnico.

“Não são muitas pessoas que têm o Cad, então muita gente acaba pagando R$ 15, o que era diferente da época que entrei em 2016, onde era cobrado R$ 2,50 pra todos os estudantes”.

Questionado sobre o aparecimento de larvas nas saladas, o entrevistado afirma que alguns amigos relataram que situação já ocorreu com eles. Além disso, reforçou que a reitoria ainda não deu nenhum parecer sobre mudanças no Restaurante Universitário.

O que diz a UFMS

O Jornal Midiamax pediu solicitação sobre o caso à UFMS sobre o caso. Por meio de nota, a universidade disse que a empresa prestadora de serviço segue as normas que estão no Termo de Referência, que estabelece 140g de proteína por refeição.

“A empresa prestadora administra a oferta de alimentação no RU diretamente, de acordo com a demanda. Além disso, a empresa opera com nutricionistas e tem todos os alvarás sanitários e de funcionamento. Os serviços são monitorados e, qualquer eventual desafio, a empresa é notificada e presta contas à Universidade”, disse.

*Matéria atualizada em 17/08/2023 para correção de informação. A retratação sobre a informação erroneamente publicada está disponível neste link.