Frango mal cozido ou queimado, mosca morta e larvas servidas como acompanhamento na salada. Esta é a condição do almoço servido no Restaurante Universitário da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, que pode custar até R$ 15. 

Levantamento do Midiamax, em setembro do ano passado, mostra que o bandejão é o mais caro do país.

Nas redes sociais, são frequentes as postagens dos alunos indignados com a qualidade da comida servida pela empresa terceirizada que administra o restaurante.

Comentários em uma das postagens. (Foto: Reprodução Redes Sociais)

Em uma postagem no Perfil @UFMS_Segredos, um usuário mostra uma larva encontrada no alface. “Você não está vendo que é para complementar as 140 gramas de proteína?”, ironiza uma pessoa, já que os alunos também reclamam da falta de carne, como mostrado no dia 16 de março pelo Midiamax.

Outro usuário diz que “o problema é comer olhando para a comida”. 

Mesmo após reclamação dos estudantes sobre a qualidade das refeições, a empresa continua servindo comida mal preparada. Uma postagem no perfil @tevinaufms, de dois dias atrás, mostra uma mosca morta na carne do estrogonofe. 

“Achei uma mosca na minha carne. Aff, sinceramente não pode nem comemorar por um dia de comida boa no ru que na janta aparece isso. Fiquem atentos a comida de vocês gente”, relatou a pessoa que enviou a foto. 

Como na outra publicação, nos comentários, as pessoas dizem que é pra chegar no peso da proteína e que não é aconselhável comer olhando o prato.

“Ainda bem que encontrou inteiro, imagina se fosse metade [da mosca]?”, tentou amenizar uma pessoa. 

Há uma semana outra publicação mostra o frango cru com carne vermelha que foi servido. “Tempero sabor salmonella” e “dá até tempo de salvar a vida dele”, comentaram. 

O que diz a UFMS?

O Midiamax solicitou uma nota para a universidade questionando sobre a qualidade da comida servida, até quando vai o contrato da empresa que administra o restaurante universitário e se há previsão de alguma penalidade, já que a reclamação sobre a qualidade da comida servida é frequente entre os estudantes.

Em resposta, a UFMS afirma que a empresa tem todos os alvarás sanitários e de funcionamento, além de contar com nutricionistas, mas não respondeu se a empresa já sofreu ou deve sofrer com eventual penalidade.

Confira abaixo a nota da UFMS na íntegra:

“Sobre o RU da Cidade Universitária, a empresa prestadora de serviço segue as normas que estão no Termo de Referência. A empresa prestadora administra a oferta de alimentação no RU diretamente, de acordo com a demanda. Além disso, a empresa opera com nutricionistas e tem todos os alvarás sanitários e de funcionamento. Os serviços são monitorados e, em qualquer eventual desafio, a empresa é notificada e presta contas à Universidade”.

Valor pago por estudantes triplicou

No início de 2022, aumento que deixou o valor do prato feito três vezes mais caro revoltou alunos e gerou onda de protestos na UFMS. De R$ 4,50, o preço cobrado foi para R$ 15. 

Em nota, a instituição ressaltou que apenas 20% dos alunos pagam esse valor.

“O preço das refeições dos restaurantes universitários da UFMS é de apenas R$ 3,00 aos mais de 80% dos quase 25.000 estudantes da UFMS, que se autodeclararam em situação de vulnerabilidade econômica, com renda per capita familiar de até 1,5 salário mínimo”, diz o texto.

Em Mato Grosso do Sul, estudantes em situação de vulnerabilidade só pagam 1/5 dos R$ 15 por conta de um subsídio pago pela UFMS com recursos do PNAES (Plano Nacional da Assistência Estudantil), do Ministério da Educação.

*Matéria atualizada em 17/08/2023 para correção de informação. A retratação sobre a informação erroneamente publicada está disponível neste link.