está abaixo da média brasileira de cobertura vacinal completa em nascidas entre 2017 e 2018. Dados são de pesquisa divulgada na manhã desta terça-feira (7) durante o evento ‘Vacinar para não voltar – Pela reconquista das altas coberturas vacinais’, no Bioparque Pantanal. Evento contou com autoridades de saúde.

Assim, o ‘Inquérito de Cobertura Vacinal – crianças nascidas em 2017 – 2018’ tem objetivo de estimar a cobertura do esquema completo previsto no calendário do PNI (Programa Nacional de Imunização do Brasil), aplicadas até os 24 meses em crianças nascidas em 2017 e 2018, residentes nas áreas urbanas das capitais brasileiras, do e de 11 municípios do interior com mais de 180.000 habitantes. Dessa forma, os pesquisadores querem mapear o motivo da hesitação vacinal.

Segundo os dados divulgados, foram visitadas 421.446 capitais e 21.694 cidades do interior para coletar dados das vacinas Pentavalente, VIP, Tríplice viral, sorogrupo C, VOP, DTP e Varicela. Sobre o acesso à vacinação, 69,5% dos entrevistados relataram utilizar apenas o serviço público, 28,6% já usaram o serviço privado e 1,9% não soube responder.

A região Centro-Oeste, por exemplo, atingiu percentual de 62% na cobertura vacinal (esquema completo) previsto no calendário para os 24 meses de vida, ficando acima da média nacional de 59% em comparação com outras regiões.

Porém, isso não impediu que Campo Grande ficasse abaixo de outros Estados. Segundo pesquisa, Capital atingiu apenas 47% da cobertura completa, 12% a menos do que a média nacional. A Capital de maior porcentagem é Teresina, com 85%. Cálculo não considerou vacinas contra febre-amarela e doses de tríplice viral em menores de 1 ano. Também foram considerados 1º reforço da poliomielite e DTP.

Inquérito de Cobertura Vacinal
(Inquérito de Cobertura Vacinal

Vale ressaltar que decréscimo da imunização já é percebida pela Sesau. Em 2022, por exemplo, a cobertura da poliomielite ficou 16,73% abaixo da meta de Campo Grande.

Confira a porcentagem de cobertura vacinal das demais vacinas em Campo Grande em crianças nascidas entre 2017 e 2018, segundo estudo:

  • VIP (Poliomielite): 81,8%
  • Meningocócica: 93,5%
  • Tríplice Viral 1ª dose: 94%
  • Tríplice Viral 2ª dose: 77%

Brasileiro é favorável ao programa de vacinação

Ainda conforme a pesquisa, 94,5% dos pesquisados afirmam confiar nas vacinas distribuídas pelo governo, enquanto apenas 2,4% responderam que ‘não’. Além disso, 18,2% das pessoas que se dizem desfavoráveis à imunização alegam que elas produzem reações graves.

Questionadas sobre o motivo da não vacinação em crianças, as pessoas elencaram as principais razões como: pandemia (365), medo de reações (354) e orientação médica para a não vacinação (137).

Dificuldade de acesso

Ainda segundo a pesquisa, 21,1% dos entrevistados disseram que os postos de saúde ficam longe de casa, o que dificulta o acesso. Além disso, 7.569 pessoas disseram que faltam vacinas em unidades de todo o Brasil.

Pesquisador da Fiocruz, Juliano Croda afirma que a baixa adesão está relacionada à falta de acesso, principalmente da população mais pobre, desde 2016 que se intensificou na pandemia. Assim, existe a necessidade de entender as motivações para intervir e, então, aumentar a taxa de imunização.

“A principal motivação é o acesso por vários motivos, como a falta de funcionamento de horários alternativos nos postos de saúde, nem todas as unidades têm salas de vacinação ou às vezes são muito distantes, às vezes faltam vacinas nos postos. O equilíbrio das barreiras é fundamental para a população, especialmente a de baixa renda”, finaliza.

População está confusa

 José Cássio de Moraes, da USP (Universidade de São Paulo) e um dos responsáveis pela pesquisa acima, afirma que existem diversas barreiras que afastam as pessoas das vacinas.

“Com a vacina da Covid existiram muitas informações falsas partindo de autoridades máximas, depois começou todo um descompasso do que cada nível falava. A população ficou confusa em quem acreditar. Só que assim, nenhuma vacina tem eficácia 100%. E a da Covid não é para evitar da pessoa ter a doença, é pra evitar que seja grave”, explica José Cássio de Moraes.

Além de José Cássio de Moraes, participaram do Inquérito de Cobertura Vacinal – crianças nascidas em 2017 – 2018′ Carla Magda Santos Domingues, ex-coordenadora do PNI, Rita de Cassia Barratas Barata, Profa. Adjunta. FCM Santa Casa SP, Maria da Glória Teixeira, Profa. Titular UFBA, e Ione Guibo, FCM Santa Casa SP.

Retorno de vacinação nas escolas

Por causa do decréscimo de vacinação, especialmente em crianças, o secretário municipal de saúde alega que vai retomar as vacinações dentro das escolas de Campo Grande em 2023.

“Nós já alinhamos. Os superintendentes vão conversar a partir do semestre que vem para efetivamente estar dentro das escolas esse ano”, ressalta Benitez.