Moradores do bairro Coophavila, em , afirmam conviver com a presença de escorpiões há anos, sendo comum o aparecimento dos animais dentro de casa. Nesta semana, uma bebê de 1 ano foi picada por um escorpião e está internada em estado grave, ela mora com a família no Coophavila.

Morador do bairro há mais de 30 anos, o assistente de auditoria Raphael Sampaio Dantas, 33 anos, conta que há pelo menos dois anos o aparecimento de escorpiões se tornou rotina em sua casa. “Por mês eu pego uns quatro ou cinco escorpiões que aparecem dentro de casa. Em dois anos tenho certeza que bem mais de 20 já apareceram aqui”, conta ele.

Raphael mora próximo ao local onde a foi picada recentemente por um escorpião e se preocupa com a situação. “Aqui tem escola perto, muita criança, a gente não sabe como evitar que eles apareçam”, conta o morador, que acredita que desde a implantação da rede de aumentou o número de insetos e consequentemente de escorpiões.

Pela vizinhança ele afirma que não é comum ter terrenos baldios, mas há acúmulo de entulhos em calçadões, atrativos para o escorpião. Em sua casa, Raphael já encontrou os animais peçonhentos embaixo do sofá, da pia da cozinha e nas paredes.

Ataques de escorpiões em MS

Neste ano, duas crianças já foram vítimas fatais de escorpiões em Mato Grosso do Sul. Levantamento do Ciatox MS (Centro de Informação e Assistência Toxicológica) aponta 3.205 ataques de escorpiões em 2022, sendo 1.101 em Campo Grande.

Em relação às reclamações de aparecimento de escorpiões no CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), foram 1.678 no primeiro semestre de 2022 e 1.102 no mesmo período de 2023. Nos acidentes de picadas de escorpião, foram 929 ano passado e 511 este ano.

Atendimento deve ser imediato

responsável clínico do Civitox MS e professor adjunto de dermatologia da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Alexandre Moretti de Lima, explica que a primeira coisa a fazer após uma picada de escorpião é procurar imediatamente o atendimento de emergência para verificar a gravidade do acidente.

“É importante levar o escorpião porque no posto de saúde vai tirar foto e mandar para os biólogos do Civitox para analisar a espécie”, ele orienta. 

Geralmente, com o uso de pá ou vassouras, as pessoas empurram o escorpião para dentro de um frasco. Alexandre afirma que a maioria dos casos é leve e os tratamentos geralmente são para dor. Contudo, há uma parte de casos moderados e graves que necessitam de soro antiescorpiônico. 

Como evitar o escorpião?

Campo Grande vive a época mais propícia para aparecimento de escorpiões, que são a primavera e verão. Contudo, como o inverno no Estado tem a tendência de ser mais quente, alguns animais saem das tocas, bueiros, esgotos, caixas de gordura à procura de alimentos. 

“É importante manter o condicionamento dos lixos sempre fechados, armazenados em locais específicos, evitar entulhos, deixar sempre limpo terrenos baldios. Em casa, é fundamental fechar ralo, frestas, colocar água sanitária nos ralos, nos buraquinhos em que eles podem sair, diminuindo a proliferação”, explica o especialista. 

Todas essas dicas são importantes para evitar o aparecimento de escorpiões e dos insetos, como baratas e moscas, que são o alimento do animal peçonhento. “A dedetização ajuda a controlar os insetos. Se controla os alimentos, você não traz o escorpião para próximo do ser humano”, afirma Alexandre. 

Ele também ressalta a importância de monitorar as , já que elas são as mais vulneráveis para casos graves. Os sintomas iniciais que indicam sinal da gravidade são náuseas, vômitos, salivação e palidez. 

Para orientação ou tirar dúvidas, os telefones do Ciatox são (67) 3386-8655, 0800-722-6001 e 150.