Após anos de espera e um incêndio de grandes proporções, a prefeitura de anunciou nesta sexta-feira (8), que todas as 187 famílias que residem na favela do Mandela terão uma casa definitiva. Em anúncio, a prefeita Adriane Lopes informou que a construção das moradias custará R$ 15 milhões.

As casas começam a ser construídas na próxima segunda-feira (11), e devem ficar prontas em até 12 meses. Na prioridade, estão as 38 famílias que perderam tudo com o incêndio de grandes proporções registrado em 16 de novembro e que hoje vivem em tendas improvisadas.

Conforme anunciado pela prefeita, as 38 famílias serão realocadas em casas construídas no bairro José Tavares. A partir do dia 14 os moradores serão retirados do local e encaminhados ao terreno onde poderão se restabelecer até a construção das casas. Os locais já dispõe de rede de esgoto, água e energia.

As demais famílias serão realocadas em diferentes bairros de Campo Grande: sendo 33 no 1, 30 no Iguatemi 2, 32 no Talismã e a última área que deve abrigar as 54 famílias restantes será anunciada na próxima semana. Nessas áreas, será feito um sorteio para definir a ordem da retirada, com prioridade aos moradores inscritos na Emha (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários).

As áreas já estão delimitadas e a escolha levou em conta o acesso aos serviços essenciais aos moradores, como escolas, mercados e unidades de saúde.

R$ 15 milhões em investimentos

Adriane Lopes na coletiva do Mandela (Henrique Arakaki, Midiamax)

Ao todo, serão investidos R$ 15 milhões em recursos para construção e retirada das famílias que residem no Mandela. Cada família contemplada deverá pagar 10% de um mínimo, que pode ser dividido em até 30 anos.

Durante a construção das casas, as famílias que optarem por ficar na comunidade seguirão recebendo assistência da prefeitura por meio da distribuição de comida, itens de higiene pessoal e colchões.

Para a líder comunitária do Mandela, Greiciele Naiara Argila, as casas representam uma vitória após anos anos de luta dos moradores por uma moradia digna.

“A prioridade são as famílias que estão na tenda, mas a sensação é de vitória, os moradores finalmente conseguiram o que lutaram por muitos anos para ter”, comemora.

Enquanto esperam, famílias lidam com calor, chuva e até cobras

Barracos foram destruídos pelo fogo (Henrique Arakaki, Midiamax)

Com cobertores pendurados para secar ao sol, a moradora torce para que a chuva dê trégua e consiga ao menos ter algo seco para se cobrir quando a noite chegar. As tempestades que ocasionam estragos em diversos pontos de Campo Grande nos últimos dias foram ainda mais devastadoras para quem vive nos barracos.

“Tive que aparar a chuva porque invadiu todo o barraco, a água entrou por baixo da lona e piorou ainda mais a situação”, diz. A moradora de 56 anos relata que há dias está com uma tosse persistente, como precisa dormir no chão úmido, a doença nunca se cura.

Com a chuva vem a lama e as tendas ficam imersas na sujeira, até mesmo cobras já foram encontradas em um barraco após um dia de chuva.

“Chuva cai, a varanda cai junto. Meu marido foi arrumar, puxou o sofá e o bicho estava ali pronto para dar o bote”, disse a repositora Jéssica Tomiati, de 29 anos, que encontrou uma jararaca embaixo de um móvel em uma varanda montada do lado de fora da tenda.

Como doar?

Coletiva na comunidade do Mandela (Henrique Arakaki, Midiamax)

Os interessados em doar podem entregar os mandamentos para a Cufa (Central Única das Favelas). Recentemente, o grupo fez um pedido de de água para os moradores do Mandela, mas todo tipo de mantimento é bem-vindo.

As doações podem ser entregues nos seguintes endereços: Rua Livino Godoi, 710, bairro São Conrado ou Rua Salamanca, 133, bairro Bonança. Mais informações: 67 9181-8142 ou nas redes sociais.

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