Ainda em fase de testes, o concreto verde terá a mistura de fibras naturais, como palha de milho, bagaço de cana, fibra de coco, entre outros. E a expectativa dos alunos é não só amenizar os problemas ambientais, bem como ajudar a população menos favorecida. O projeto dos alunos da Nova Escola, em Campo Grande, está sendo apresentado no Integra 2023, na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

“Este é um meio da gente conseguir amenizar os problemas ambientais, fazer com que seja mais barato o concreto e, inclusive, as pessoas tenham mais acesso a este produto e assim tenham uma moradia mais barata e acessível”, afirmou a Gabriela Ribeiro Gomes, de 15 anos, que está no 1° ano do ensino médio.

Já o estudante Pedro Henrique Araújo Souza e Silva, de 16 anos, comenta que a intenção é realmente criar um material orgânico diferente do concreto convencional, com a substituição por fibras orgânicas, que vão se juntar ao concreto. Ou seja, será uma opção mais rentável para as pessoas que vivem em áreas de risco. “Além disso, vamos usar como fontes matérias-primas que temos na nossa região e que não possuem função aparente, que geralmente seriam incinerados”, explicou.

Alunos apresentam ‘concreto verde’ na maior feira científica de MS e sonham com construções (Graziela Rezende, Midiamax)

Neste momento, os alunos dizem que fazem testes de resistência e dizem que a experimentação, por enquanto, está dando certo. “Estamos com o processo em andamento, começamos em setembro deste ano e tudo é muito novo ainda, mas, já estamos tendo bons resultados. A intenção é ver qual a porcentagem de fibra ideal para, justamente, ter uma segurança”, disse Silva.

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A também estudante Júlia Pacheco Moraes, de 16 anos, ressaltou que “o grande problema atual que vivemos pede a redução nas emissões de gás carbônico”. “O nosso projeto então visa ajudar o meio ambiente e nós sonhamos em ver casas feitas com ele, fazendo o bom uso e o uso sustentável nas favelas ou em locais onde as moradias são muito precárias e óbvio, com chuva e deslizamentos, a gente sabe que fica pior ainda, então, a gente quer que chegue nestas pessoas e que seja muito acessível, principalmente, no nosso país que é rico e que tem vários recursos, então, a gente quer usar isso para melhorar a vida das pessoas”, opinou.

Estão “vendendo o peixe” para os avaliadores, diz professora

Alunos apresentam ‘concreto verde’ na maior feira científica de MS e sonham com construções (Graziela Rezende, Midiamax)

A responsável pelo projeto “concreto verde”, que dá aula de PIC (Projeto de Iniciação Científica) ao ensino médio, Amanda Dal’Ongaro Rodrigues, é quem acompanha os alunos.

“A gente já tem uma expectativa como professora e ainda temos que trabalhar a deles. É primeira feira que participam, então, o nível de conhecimento ainda é baixo. E aí resolvemos participar de todas as feiras possíveis, justamente para eles terem esta bagagem”, disse Amanda, que comanda ao todo 4 projetos no Integra 2023.

Conforme a professora, os alunos estão “vendendo o peixe” para os avaliadores e por isso precisam desenvolver a oratória. “É um momento em que eles estão buscando aprender, se autoavaliarem por também estarem sendo avaliados por pessoas de diferentes conhecimentos e ainda testarem o seu português como a gente diz, toda a sua oratória, para vender o nosso peixe”, contou.

Para chegar ao projeto do concreto verde, Amanda diz que buscou saber sobre qual assunto eles tinham afinidade e aí ela foi discutindo ideias. “Pensamos no concreto, pneu reciclado, entre outros assuntos, porém, nesta busca por sustentabilidade, aprimoramento de matéria-prima e diminuição de custo, entre outros benefícios, chegamos ao concreto verde e agora estamos vendo este percentual de fibras e porcentagens, além de testes de resistência, mobilidade física e todo o trâmite que vai ser o nosso diferencial para trabalhar com a população mais carente e assim suprir a necessidade deles, de baixo custo”, argumentou.

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