A luta de sul-mato-grossenses na fila do INSS pela aposentadoria: 'é muito triste, a gente sofre demais'

Em Campo Grande, uma das entrevistadas trouxe o enteado que está com derrame para tentar reaver o benefício cortado
| 22/02/2022
- 11:58
Mesmo com derrame
Mesmo com derrame, homem teve o auxílio cortado depois de seis meses - (Foto: Henrique Arakaki / Jornal Midiamax)

Para alguns sul-mato-grossenses, conseguir se aposentar ou ter acesso à pensão por morte tem sido uma verdadeira peregrinação, entre idas e vindas ao (Instituto Nacional do Seguro Social) de Campo Grande, situado na rua 26 de Agosto.

Na frente do órgão e após mais uma prova de vida, a dona de casa Joelma Santana, de 43 anos, lamentava mais uma tentativa frustrada de conseguir o acesso à pensão, após o falecimento do marido.  

“Meu morreu em outubro de 2020, ele era o arrimo da família. Dei entrada pra mim e pra minha filha de 5 anos, mas só foi liberado o dela em 2021. Não sei porque eu não consegui, comprovei tudo o que pediram”, desabafou.

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Entrada do INSS em Campo Grande (Foto: Henrique Arakaki / Jornal Midiamax)

 

Mãe de dois filhos, a babá Celia Figueiredo, de 40 anos, também luta para conseguir a pensão por morte. “Meu ex-marido faleceu em dezembro do ano passado. Ele sustentava a casa e não estou conseguindo a pensão para os meus filhos de 13 e 5 anos. Parece que falta diálogo e boa vontade de todos, está demorando muito”, disse ela.  

Com derrame e sem aposentadoria

A dona de casa Catarina Peralta, de 66 anos, veio com o enteado para tentar reaver a pensão por invalidez. “Deu derrame nele, ele só fica na cadeira de rodas e não consegue trabalhar e muito menos ficar em pé. Quando fala sai tudo enrolado. Ele estava recebendo, mas cortaram o auxílio em dezembro depois de 6 meses. Vim aqui para fazer a perícia, falaram que não era a data certa e vou ter que voltar outro dia”, disse ela.

Inconformada e com lágrimas nos olhos, Catarina externou o seu sentimento de angústia e revolta. “Ele tem 56 anos e sempre trabalhou, mas agora está na cadeira de rodas. O INSS está errado, eles veem que a pessoa não tem condições e demoram para dar aposentadoria. É muito triste, a gente que é pobre sofre demais. Não tem como trazer ele no ônibus. Tem que pagar um motorista de aplicativo para fazer o transporte, e não temos dinheiro pra ficar pagando”, desabafou.

Dados em MS

O INSS informou que no ano de 2021 foi emitido um total de 5.820 aposentadorias por idade, em todo o Mato Grosso do Sul. Desse número, 2.888 pessoas do sexo masculino e 2.932 do sexo feminino.

Por tempo de contribuição, o total foi de 1.758, sendo 1.358 para homens e 400 para mulheres. Já o número de pensões concedidas foi 5.441, sendo 4.019 para pessoas do sexo masculino e 1.422 para pessoas do sexo feminino.

Novas regras da previdência 

  • Ainda segundo o INSS do Estado para aposentadoria por idade, as mulheres têm que ter 61 anos e mais seis meses enquanto os homens devem ter 65 anos. Em ambos os casos, é necessário ter 15 anos de contribuição, no mínimo.
  • Pensão — documentação de casamento ou se for união estável terá que comprovar.
  • Para requisito, os segurados necessariamente precisam ter contribuição com o INSS.

O órgão também foi questionado sobre o número de pessoas que deram entrada em pedidos de aposentadoria em 2021 e, desse total, quantos foram concluídos. Mas até a publicação desta matéria não obtivemos a resposta, o espaço segue aberto para esclarecimento.

 

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