Cotidiano

Da corrida por app à vaquinha por carona: passageiros buscam alternativas diante da greve dos motoristas

Sem acordo por reajuste salarial, a categoria mantém a paralisação dos ônibus para esta sexta-feira (7)

Mariane Chianezi Publicado em 06/01/2022, às 08h20

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Marcos Ermínio, Midiamax

Sem acordo por reajuste salarial com o Consórcio Guaicurus, os motoristas do transporte público de Campo Grande mantêm a confirmação da greve para esta sexta-feira (7) e os passageiros já buscam alternativas para "sobreviver" ao dia sem ônibus. Corrida por aplicativo e vaquinha para carona são algumas das medidas planejadas dos moradores que utilizam o transporte público para ir trabalhar. 

Para a empregada doméstica Marilayde Gomes da Silva, caso não tenha ônibus para chegar ao trabalho nesta sexta-feira, ela e as colegas já sabem o que vão fazer: se unir para abastecer o carro para que todas cheguem até o emprego. "Estamos nos reunindo para colocar gasolina no carro de uma amiga, que nos ofereceu carona". Ela trabalha na saída para Três Lagoas.

Sem possibilidade de faltar no trabalho, Jolcilayne Sampaio, de 39 anos, conta que já se prepara para encarar as altas tarifas dos aplicativos de mobilidade. "Infelizmente terei que arcar com gastos extras com transporte por aplicativo. Trabalho em uma unidade que atende pessoas com deficiência e não dá para parar", disse.

Ela conta que em dias comuns, o valor não ultrapassa R$ 24 no trajeto casa-trabalho, mas em dias de alta demanda nos aplicativos de transporte, o valor chega a dobrar e até triplicar. "Já cheguei a pagar o dobro do usual em casos de necessidade, como em chuva, fim de semana que o ônibus é reduzido. O valor que geralmente é de 19 a 24 reais dependendo do horário, paguei 54 reais", comentou.

No entanto, tem trabalhador que afirma que não arcará com os custos de deslocamento ao trabalho caso não tenha ônibus. Uma leitora do Midiamax, que trabalha com limpeza, disse que não pretende pagar por conta própria a corrida por aplicativo. "A empresa que eu trabalho que dê um jeito, eu não posso tirar do meu bolso para pagar Uber", disse.

Para quem trabalha com vendas e não dá para parar ou faltar, a medida será pedir carona. José Hercílio, de 54 anos, disse que já deixou de "sobreaviso" o vizinho para acordar cedo e fazer o favor de levá-lo até a porta do trabalho. "Ele é meu colega, aí pedi que caso não tenha ônibus, se ele possa me levar, desde que eu pague o combustível", disse. 

Também há relatos de trabalhadoras domésticas que foram dispensadas do dia de trabalho nesta sexta-feira pelos patrões para que não seja necessário arcar com dispensas extras de transporte por aplicativo. 

Audiência de mediação 

Com indicativo de greve para esta sexta-feira (7), o sindicato dos motoristas do transporte público de Campo Grande se reúne em audiência com o Consórcio Guaicurus na manhã desta quinta-feira (6) para tentativa de negociação salarial da categoria.  A audiência de mediação acontecerá no MPT-MS (Ministério Público do Trabalho) às 9h. 

Na segunda-feira (3), os motoristas se reuniram na sede do STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande) e por unanimidade decidiram pela paralisação do transporte para esta sexta-feira.

Conforme o presidente do sindicato, Demétrio Freitas, foi acordado reajuste de 17% no salário dos trabalhadores. No entanto, o Consórcio teria baixado o percentual para 11,8%. Em paralelo, o Consórcio de ônibus tenta reajustar o valor da tarifa, que atualmente é de R$ 4,20. As empresas de ônibus querem aplicar alta de 21,93%, que deixaria a passagem em R$ 5,12 na Capital.

Jornal Midiamax