Cotidiano

Para especialista, ponto facultativo em MS só é eficaz se somado a medidas restritivas

Infectologista defende lockdown de 14 dias para frear caos na saúde e conter coronavírus em MS

Mariane Chianezi Publicado em 01/06/2021, às 07h37

Centro de Dourados, onde foi decretado lockdown de duas semanas
Centro de Dourados, onde foi decretado lockdown de duas semanas - De arquivo, Midiamax

O decreto do Governo do Estado que criou ponto facultativo no dia 4 de junho, e, portanto, feriadão no fim desta semana pode ter "zero eficácia" caso não esteja associado à medidas severas de restrição, como lockdown de 14 dias, tal qual adotado em Dourados desde o último domingo (30).

É o que defende o pesquisador da Fiocruz e médico infectologista Júlio Croda, uma das principais vozes na defesa de medidas restritivas de circulação para conter o avanço da pandemia, que apenas em MS já infectou aproximadamente 300 mil pessoas e matou quase 7 mil. Segundo ele, o Governo deveria seguir o exemplo de Dourados, que decretou lockdown no município para barrar a transmissão do coronavírus e inclusive enrijeceu as medidas na última segunda-feira (31).

“Um dia de ponto facultativo tem pouco impacto sem medidas restritivas mais severas. Deveria decretar o lockdown de 2 semanas igual de Dourados. Estamos com sistema de saúde colapsado”, disse o infectologista ao Jornal Midiamax.

O médico orientou que os moradores permaneçam em casa e evitem aglomerações, pois o ponto facultativo 'abriria brecha' para a circulação de pessoas nas cidades, com intenso fluxo intermunicipal, aos moldes do que costumeiramente se observa nos feriadões.

Vale lembrar que, no município de Campo Grande, a Prefeitura decidiu que não haverá ponto facultativo. Em municípios do interior, como em Bonito, já foi decidido adoção de medidas restritivas para minimizar o avanço da pandemia.

Municípios preocupados com 'feriadão'

Nessa segunda-feira (31), em reunião, os prefeitos associados à Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul), decidiram por barreira sanitária e por encaminhar solicitação de restrição ao governo. Conforme o presidente da entidade, Valdir Júnior, a maioria decidiu por adotar medidas como barreiras nas entradas dos municípios, entre os dias 3 e 6 de junho, (quinta-feira a domingo). Além disso uma solicitação de proibição de transportes públicos intermunicipais para este período será enviada ao Estado já nesta terça-feira (1º).

As cidades que aderirem às restrições parciais deverão decretar toque de recolher mais rígido, das 20h às 5h da manhã do dia seguinte, e também lei seca, com proibição de consumo de bebida alcoólica em local público e estabelecimentos comerciais, assim como Bonito já anunciou.

Restrições em cidade turística

Na cidade turística, o Município decretou nesta segunda-feira (31)que a venda de bebidas alcoólicas está vedada até 14 de junho, assim como o consumo de tereré e narguilé nas vias públicas. Os atrativos turísticos estão liberados, desde que obedeçam as normas de biossegurança. Já os eventos estão proibidos no período. Hotéis e agências de viagens podem abrir também se seguirem as regras sanitárias. Boates, casas de shows e parques também não poderão abrir. Apresentações musicais ao vivo estão vedadas. 

Tabacarias podem abrir, mas não podem permitir o uso de narguilés em suas dependências. Igrejas podem realizar celebrações com 50% da capacidade de público. Salões de beleza, clínicas de estética e estabelecimentos semelhantes devem atender apenas um cliente por vez, com intervalo de 30 minutos entre cada serviço. Academias devem submeter plano de biossegurança ao comitê municipal.

Jornal Midiamax