Com quase 23 mil doses disponíveis há mais de 10 dias, até agora somente três mil indígenas foram vacinados na maior Reserva Federal de , localizada em . Esse número, segundo dados do Dsei (Distrito Sanitário Indígena), responsável pela aplicação do imunizante nas aldeias, equivale a 30%.

De acordo com informações divulgadas pelo Dsei, a campanha de vacinação nas aldeias de Dourados está acontecendo todos os dias. Entretanto, além da resistência de alguns indígenas que se recusam a tomar o imunizante, principalmente pela disseminação de notícias falsas que circulam nas redes sociais, as chuvas intensas também são entraves para o trabalho do órgão.

Segundo o coronel Joe Saccenti Júnior, o Dsei tem se esforçado para cumprir a meta estabelecida de vacinar todos os indígenas de Dourados e também do Estado. Além dos pontos de vacinação divididos por áreas no território que compreende a Reserva Indígena, equipes volantes estão se deslocando até as residências de moradores possuem mais de 80 anos.

O estoque de 23 mil doses disponibilizado pela Secretaria Estadual de Saúde, com a segunda dose, é suficiente para imunizar 11.600 indígenas somente em Dourados. Nas aldeias Jaguapiru, Bororó e retomadas existentes no entorno da cidade, indígenas que possuem mais de 18 anos podem ser vacinados.

Dados  divulgados na última segunda-feira (25), mostram que 26% da população indígena em todo o estado já foi imunizada. A expectativa de conclusão da companha direcionada a este grupo prioritário é de até 30 dias.

Mobilização

Para ajudar no convencimento da importância da imunização, alguns moradores das aldeias estão se mobilizando e oferecendo a própria casa para ajudar os profissionais de saúde a cumprirem a meta estabelecida.

“Minha casa está de portas abertas. Se precisar nós estamos aqui para ajudar. Essa doença está acabando com o nosso povo. Aqui na nossa comunidade já perdemos muitas lideranças e estamos preocupados”, conta Esmeralda Ribeiro, moradora da Aldeia Bororó que abriu espaço na varanda da sua residência para ajudar na campanha.

Segundo estatísticas recentes, Mato Grosso do Sul lidera a lista de registro de mortes por coronavírus nas aldeias em todo país, com 82 óbitos e mais de quatro mil infectados. Para dar atendimento ao público considerado prioritário, o Dsei preparou um Plano de Operacionalização da Vacinação da estratégias para imunizar rapidamente os grupos prioritários.

“Realizar triagem rápida, preferencialmente no momento de identificação/cadastro do usuário, para identificar pessoas com sinais e sintomas de doença respiratória e síndrome gripais, as quais não deverão ser vacinadas. As mesmas devem ser redirecionadas para o atendimento em saúde”, diz um trecho do documento elaborado pelo Dsei.

O plano elaborado para a imunização da população indígena, também recomenda a disponibilização de locais higienização das mãos ou ofertar dispenser com álcool em gel na concentração de 70%, para facilitar a higienização das mãos dos profissionais e da pessoas a serem vacinadas.

“Considerando o cenário de recebimento completo das doses previstas para o grupo prioritário: indígenas a partir de 18 anos, a equipe de saúde local poderá adotar diferentes estratégias de vacinação em prol da cobertura vacinal, com prioridade aos trabalhadores de saúde”, orienta o documento que recomenda a organização da vacinação em quatro grupos diferentes.