Cotidiano

Moradora tem gato levado para CCZ e tenta recuperá-lo após adoção

Depois de nove anos de convivência com o gato Ralph, Clara Sirugi, de 54 anos, está lutando para recuperá-lo, após o animal ter sido levado por engano para o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), em Campo Grande. Para piorar, Ralph está em posse de uma nova tutora, após ser colocado para a adoção. O […]

Fábio Oruê Publicado em 16/03/2021, às 17h39 - Atualizado em 17/03/2021, às 14h17

Ralph saiu de casa e acabou adotado por outra família. (Foto: Arquivo Pessoal)
Ralph saiu de casa e acabou adotado por outra família. (Foto: Arquivo Pessoal) - Ralph saiu de casa e acabou adotado por outra família. (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois de nove anos de convivência com o gato Ralph, Clara Sirugi, de 54 anos, está lutando para recuperá-lo, após o animal ter sido levado por engano para o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), em Campo Grande. Para piorar, Ralph está em posse de uma nova tutora, após ser colocado para a adoção.

O Jornal Midiamax conversou com Clara, que está muito abalada com a situação e até faz uso de ansiolíticos para dormir. Ela contou que luta contra uma depressão e que há nove anos, Ralph foi dado de presente pela filha para ser seu companheiro e ajudar no tratamento.

“Foi sugestão do médico. Eu sou muito apegada a ele, ele até dorme comigo”, contou. Segundo Clara, Ralph tinha o costume de sair somente para fazer suas necessidades no telhado e mia para que ela abra a janela para ele entrar. Porém, em uma dessas saídas, o animal acabou indo parar no telhado de uma vizinha do bairro.

“Ela falou que ele não estava conseguido descer do telhado. Ela não sabia ou não lembrava que ele era meu gato e mandou para o CCZ”, disse a tutora, explicando que só ficou sabendo da história uma semana depois, na segunda-feira (15). “Quando eu me dei conta que ele não voltava, até achei que ele estava com outros gatos, mas eu perguntei para as vizinhas e ninguém sabia dele”, relembrou.

CCZ

Ao saber que ele estava no Centro de Zoonoses, Carla foi imediatamente ao local. Lá foi informada que Ralph havia estado no CCZ, mas que havia sido adotado havia dois dias, na sexta-feira (12). “Eu vi a foto que eles tiraram, ele estava magro, eu tenho certeza que meu bichinho está sofrendo”, lamentou ela.

Moradora tem gato levado para CCZ e tenta recuperá-lo após adoção
Clara e Ralph juntos na cama, com um outro animal da tutora. (Foto: Arquivo Pessoal)

Por estar desesperada, uma atendente do local, após saber de toda a história, contatou a nova tutora, que informou que não havia interesse em devolver o animal, já que havia uma criança envolvida na adoção. Mesmo após insistir no CCZ, Clara ouviu da atendente: “Não tem o que fazer, se quiser vai na Justiça”.

Agora, a dona tenta lutar contra os sentimentos da depressão e também para ter o animal, que é um membro da família, como a mesma o definiu, de volta. Clara contou que se não conseguir o gato de volta de forma consensual irá acionar a Justiça para reaver Ralph.

Outro lado

Procura, a prefeitura de Campo Grande, que é responsável pelo CCZ, informou que após o resgate do animal, que segundo a denúncia que terminou no resgate estava dentro de um motor de carro, após ser acuado por cães. “No dia seguinte o animal foi submetido ao processo de rastreamento de chip, onde não foi identificado o proprietário por falta da microchipagem”, diz a nota.

Por se tratar de um felino saudável e dócil, Ralph foi colocado à adoção, visto que não foi possível a identificação do responsável, conforme o órgão. “A equipe entrou em contato com os novos responsáveis por ele que informaram que não havia interesse de devolvê-lo, uma vez que ele havia sido dado a uma criança e estava se adaptando bem ao imóvel”, continua.

A nota também reforça que, protocolarmente, o tempo de espera entre o resgate do animal e a disponibilização dele para adoção é de três dias úteis. “Outro fator que impacta no processo é a não existência de microchip para identificação do proprietário, obrigatório desde 2014 pela legislação municipal, sem este é impossível garantir o retorno do mesmo ao seu tutor”, traz a resposta.
“Ainda esclarecemos que, como foi feita toda a adoção dentro dos trâmites protocolares, a família adotante não tem a obrigatoriedade de devolver o animal, visto que ele foi resgatado da rua e, nesta situação, ele é responsabilidade do poder público o zelo pela vida dele e saúde da população”, finaliza.
Jornal Midiamax