Cotidiano

Mesmo com empenho de R$ 606 mil, Governo de MS não consegue suprir demanda por antibiótico para pacientes de UTIs

Polimixina B está em falta em vários hospitais e desespera famílias, que fazem até vaquinha para compra do medicamento

Dândara Genelhú Publicado em 28/04/2021, às 14h55

Medicamento combate bactérias super resistentes.
Medicamento combate bactérias super resistentes. - Foto: Reprodução.

Mesmo com contrato de R$ 606.900 para aquisição de Polimixina, Mato Grosso do Sul não consegue atender a demanda dos pacientes, inclusive de Covid-19. O medicamento, que é usado para internações em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), está em falta no Estado. 

O contrato foi firmado entre o Governo de MS e a Opem Representação Importadora Exportadora e Distribuidora. A vigência vai de 18 de dezembro de 2020 até 18 de dezembro de 2021.

No entanto, o extrato do contrato foi publicado no DOE (Diário Oficial do Estado) apenas em 1º de fevereiro. De acordo com a publicação, a aquisição tem objetivo de atender apenas o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul).

De acordo com o contrato, assinado em 18 de dezembro de 2020, a empresa deve entregar 10.200 frascos de medicamentos em 10 parcelas, sendo 1.020 em cada mês. O valor de cada frasco é R$ 59,50.

No ano passado, em 14 de dezembro, foi feito um empenho de R$ 60.690. Neste ano, já foram feitos quatro empenhos para a empresa. Em 6 de janeiro de 2021 foi realizado um empenho no mesmo valor.

Em 3 de fevereiro, foi empenhado R$ 60.690 do contrato. O valor se repetiu no empenho de 8 de março. Já em abril, no dia 14, foram empenhados R$ 121.380. Os valores foram consultados pelo Jornal Midiamax por meio do Portal da Transparência de Mato Grosso do Sul. 

Polimixina B  

O medicamento é um antibiótico que é utilizado para combater bactérias mais resistentes no organismo humano. A Polimixina é usada para terapia intensiva, ou seja, pessoas internadas em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). 

De acordo com o Sinmed (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), com a pandemia e internações de pacientes com quadros de Covid-19, o medicamento acabou sendo mais utilizado. 

Ao Jornal Midiamax, a SES (Secretaria de Estado de Saúde), disse que a falta ocorre em todo o mundo. “Essa falta está ocorrendo no mundo todo, pois todos os lugares do mundo estão utilizando esse antibiótico. Para não parar o tratamento do paciente, o Hospital Regional está utilizando outros antibióticos com mesmos efeitos no paciente. Os pacientes estão recebendo todos os medicamentos necessários”, disse em nota.

Por ser um medicamento de alto desempenho, ele ainda é receitado para que famílias decidam sobre o uso de forma privada. No entanto, leitores do Jornal Midiamax afirmaram ter feito buscas fora do Estado e encontrado 30 frascos da Polimixina por R$ 7,8 mil. Assim, famílias de internados procuram ajuda e fazem até vaquinha na tentativa de compra do remédio.

Jornal Midiamax