Cotidiano

Mesmo com chuvarada, Pantanal precisa de maior volume nas nascentes para se recuperar

O mês de janeiro está sendo marcado por grandes volumes de chuva em Mato Grosso do Sul. Após um 2020 com forte estiagem e incêndios que devastaram o Pantanal, o novo ano começou com esperança. Porém, o biólogo José Milton Longo explica que precisa chover na região das nascentes, no Pantanal Norte, para que o […]

Gabriel Maymone Publicado em 27/01/2021, às 14h26 - Atualizado às 15h20

Região do alto Pantanal é onde deve chover para melhorar o nível do Rio Paraguai. (Foto: ABC Color)
Região do alto Pantanal é onde deve chover para melhorar o nível do Rio Paraguai. (Foto: ABC Color) - Região do alto Pantanal é onde deve chover para melhorar o nível do Rio Paraguai. (Foto: ABC Color)

O mês de janeiro está sendo marcado por grandes volumes de chuva em Mato Grosso do Sul. Após um 2020 com forte estiagem e incêndios que devastaram o Pantanal, o novo ano começou com esperança. Porém, o biólogo José Milton Longo explica que precisa chover na região das nascentes, no Pantanal Norte, para que o bioma volte ao regime hidrológico normal.

“As chuvas estão meio deslocadas. Acontecem muito na região central, mas na área de nascentes do Paraguai e outros rios que ajudariam o sistema hidrológico estão aquém”, informou o biólogo.

Nas últimas semanas, principalmente o Rio Miranda, vem sofrendo com cheias. O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) chegou a emitir alerta de situação de emergência e as águas trasbordaram, invadindo casas de famílias ribeirinhas em Nioaque e no Distrito Águas do Miranda, em Bonito.

Assim, o biólogo explica que precisa chover nos pontos certos para que o Pantanal volte a encher baías, lagoas e campos como em uma situação normal. “Se só chove no Miranda [rio], que fica na parte sul e não chove na parte norte, o regime hidrológico acaba sendo prejudicado”, disse José Milton, explicando que deveriam ocorrer maior volume de chuvas nas regiões da “Serra dos Pareceres, Chapadas de Poconé e na região de Cáceres”, que são locais que vão distribuir essa água por todo o bioma.

Previsão nada animadora

Apesar de parecer que o mês de janeiro está muito chuvoso, a meteorologista Franciane Rodrigues, do Cemtec-MS (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS), explica que se somar o volume registrado em todas as estações meteorológicas do Estado, o total fica abaixo da média registrada entre os anos de 2007 e 2020.

“Essa impressão ocorreu porque as chuvas tiveram acumulados altos e ocorreram de forma concentrada”, explicou a especialista.

Para o próximo trimestre, que será um período decisivo para o Pantanal, a previsão não é animadora. Em fevereiro, Franciane destaca que ainda são esperadas chuvas regulares com volumes elevados. Porém, em março já deve haver uma diminuição nas chuvas, ficando com acumulados abaixo da média na região pantaneira.

Já para abril, “as chuvas que ocorrem são provenientes das frentes frias e tem certa irregularidade para ocorrer. Neste cenário, espera-se chuvas abaixo da média em todas as áreas. Região pantaneira poderá ser a menos chuvosa neste mês”, comentou a meteorologista.

Fauna

Os incêndios que destruíram cerca de 4,4 milhões de hectares do Pantanal em 2020, que corresponde a 30% do bioma, também afetaram os animais. “Houve uma perda muito grande e de todos os grupos, incluindo os polinizadores, dos quais muitas espécies vegetais dependem”, explica Milton.

Ainda conforme o biólogo, espécies consideradas de baixa mobilidade como anfíbios, mamíferos e répteis foram os mais afetados. “Fauna de solo, insetos e outros grupos invertebrados também”. Essas espécies foram prejudicadas de várias formas como “perda de abrigos, de comida, de recursos em geral, além de serem queimados”, pontua o biólogo.

Jornal Midiamax