Cotidiano

Com hospitais lotados, Campo Grande já tem internações improvisadas por Covid-19 nas UPAs

À beira de colapso e com vagas disponíveis de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no limite em hospitais, unidades de saúde de Campo Grande já estão improvisando salas destinadas para internação de pacientes diagnosticados com Covid-19. Famílias estão aguardando até dois dias em macas ao lado de cilindros de oxigênio uma transferência para leitos especializados […]

Karina Campos Publicado em 09/03/2021, às 12h12 - Atualizado às 17h22

Pacientes com Covid-19 em UPA (Foto: Arquivo/Marcos Ermínio, Midiamax)
Pacientes com Covid-19 em UPA (Foto: Arquivo/Marcos Ermínio, Midiamax) - Pacientes com Covid-19 em UPA (Foto: Arquivo/Marcos Ermínio, Midiamax)

À beira de colapso e com vagas disponíveis de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no limite em hospitais, unidades de saúde de Campo Grande já estão improvisando salas destinadas para internação de pacientes diagnosticados com Covid-19. Famílias estão aguardando até dois dias em macas ao lado de cilindros de oxigênio uma transferência para leitos especializados em hospitais.

Na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Coophavila  II, uma sala improvisada foi destinada para o atendimento aos pacientes graves. Na porta, o aviso: “Isolamento: sintomáticos respiratórios”. Três pessoas estão acamadas com auxílio de oxigênio.

Uma auxiliar de cozinha, que terá a identidade preservada, conta que o pai, de 56 anos, passou mal na tarde de segunda-feira (8), precisando de internação com urgência. Ela teria sido informada que não tem vagas nos hospitais especializados, sendo necessária a permanência na sala isolada do posto.

Com hospitais lotados, Campo Grande já tem internações improvisadas por Covid-19 nas UPAs
Sala improvisada e pacientes no oxigênio. (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)

Ainda segundo ela, outro paciente já esta há dois dias no local; uma quarta pessoa teria sido destinada a outra sala, por estar em estado mais crítico, além de não ter mais espaço no ambiente pequeno.

Outra preocupação da filha é que os pacientes estão alocados em uma sala pequena, com um ventilador, sem supervisão e com as portas abertas, apenas com a disponibilização de álcool em gel. “Disseram que ele tem que ficar aqui até surgir uma vaga e transferir”, relata.

Sem vagas

Mato Grosso do Sul superou o recorde de internações mais uma vez e chegou a 725 pacientes ocupando leitos clínicos e de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). É o pico de internações desde o início da pandemia e a situação preocupa autoridades diante da falta de leitos nas macrorregiões de Campo Grande e Dourados. A situação é tão crítica que o hospital referência no tratamento da Covid-19, o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) tem taxa de ocupação acima de 100% da capacidade.

O titular da SES (Secretaria de Estado de Saúde) Geraldo Resende comentou durante live nesta terça-feira (9) que, diante da lotação, há pacientes ocupando até os corredores do Hospital Regional.

Mato Grosso do Sul tem batido recordes no número de internações na última semana. Na sexta-feira (5), MS chegou ao pico com 712 internados com coronavírus, o maior número desde o início da pandemia. Logo na segunda-feira (8), o recorde foi ultrapassado e MS chegou a 724 internações. Nesta terça (9), MS bate o recorde novamente e chega ao pico da pandemia com 725 leitos ocupados.

Diante do possível colapso na saúde no Estado, o Governo planeja impor novas medidas restritivas, para barrar a circulação de pessoas e, assim, o avanço da doença. Nesta terça (9), o governador Reinaldo Azambuja anunciou que as aulas serão 100% remotas a partir de quarta-feira (10). Os alunos participavam da acolhida nas escolas estaduais.

Jornal Midiamax