Cotidiano

Campo Grande vacinaria população de 25 anos se doses da Janssen não fossem só para fronteira de MS

Ministério Público reuniu representantes de municípios e do Estado para entender prioridade na remessa de vacinas para 13 cidades

Jones Mário e Ranziel Oliveira Publicado em 01/07/2021, às 16h08

José Mauro Filho, titular da Sesau de Campo Grande
José Mauro Filho, titular da Sesau de Campo Grande - Henrique Arakaki/Midiamax

O secretário municipal de Saúde Pública (Sesau) José Mauro Filho contestou a remessa de 165,5 mil doses de vacinas da Janssen para aplicação exclusiva em 13 municípios da faixa de fronteira em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, se distribuído igualitariamente em todo o Estado, o lote de imunizantes baixaria a vacinação por idade em Campo Grande para 25 anos.

Mauro Filho alega que a nota técnica do Ministério da Saúde referente às doses da Janssen não especifica municípios. Mesmo assim, a CIB (Comissão Intergestores Bipartite) autorizou a prioridade aos municípios na fronteira do Brasil com Paraguai e Bolívia para a execução de um estudo pelo grupo Vebra Covid, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

“Há um entendimento de que poderia ser todo o Estado. Campo Grande sempre deixou o posicionamento de que essas vacinas deveriam ser distribuídas para todo o Estado, devido ao quantitativo ser suficiente para a gente baixar para até em torno de 25 anos a idade de vacinação na Capital”, disse o secretário, hoje (1º), antes de entrar em reunião no MPMS (Ministério Público Estadual) para tratar do assunto.

Segundo os cálculos de Mauro Filho, se partilhado com todos os municípios, o lote renderia aproximadamente 40 mil doses para Campo Grande. O secretário disse ainda que se está “deixando passando passar uma oportunidade” para o município, que tem índices altos de contaminação, internações e mortes pela covid-19. “A faixa etária que está internando e indo a óbito é de 30 a 50 anos”, falou.

José Mauro Filho também sustentou que não há chance de reverter a prioridade dada ao estudo na fronteira, mas pediu que o MPMS apure as responsabilidades dessa decisão. De quebra, argumentou que os dados da pesquisa não foram apresentados pelo Estado.

SES rebate críticas: 'querem melar o jogo'

Também presente na reunião, o secretário de Estado de Saúde (SES) Geraldo Resende rebateu as críticas. Ele reafirmou que as doses destinadas ao estudo são adicionais e questionou o “inconformismo de alguns, que agora querem melar o jogo”.

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Geraldo Resende, titular da SES, após reunião no MPMS - Henrique Arakaki/Midiamax

“Viemos aqui para elucidar dúvidas que a doutora Filomena [Fluminhan, promotora de Justiça] tem para mostrar que alguns setores estão equivocados, para não se comportarem como crianças que levam a bola porque não querem que o jogo aconteça”, disparou Resende.

O secretário respondeu ainda que a estratégia não será interrompida - as doses chegaram hoje e são distribuídas nesta tarde.

“Felizmente nós nos guiamos pelos grandes infectologistas de Mato Grosso do Sul, enquanto tem uns que têm se espelhado em quem não manja nada de saúde pública”, contra-atacou.

Doses da Janssen chegaram nesta quinta

Mato Grosso do Sul recebeu nesta quinta-feira (1º) um lote com 207.050 doses da vacina contra covid-19 da Janssen, que é de aplicação única.

Desse total, 165,5 mil serão destinados para a vacinação em massa de todos os adultos em 13 municípios da fronteira, na esteira de um estudo conduzido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em parceria com universidades americanas.

As outras 41.550 doses serão distribuídas entre 66 municípios do Estado.

Jornal Midiamax