Cotidiano

Preço alto e falta de materiais em MS atrasa cronograma e aumenta preço final de obras em até 30%

Nos últimos três meses, o setor de construção civil enfrenta dificuldades em Mato Grosso do Sul em razão da falta de materiais de construção. Aumentos nos preços dos itens e a dificuldade em encontrar materiais básicos, se tornaram um obstáculo na hora de construir. A lei da oferta e procura se estabeleceu no setor e […]

Carolina Rocha Publicado em 30/10/2020, às 14h00 - Atualizado em 03/11/2020, às 13h22

(Imagem: Ilustrativa)
(Imagem: Ilustrativa) - (Imagem: Ilustrativa)

Nos últimos três meses, o setor de construção civil enfrenta dificuldades em Mato Grosso do Sul em razão da falta de materiais de construção. Aumentos nos preços dos itens e a dificuldade em encontrar materiais básicos, se tornaram um obstáculo na hora de construir. A lei da oferta e procura se estabeleceu no setor e os construtores sofrem para fechar orçamento e entregar as obras dentro do prazo em Campo Grande.

Na maioria dos canteiros de obras espalhados pelo Estado e, principalmente, na Capital, a situação é a mesma: materiais em falta. Engenheiros e profissionais que atuam no segmento reclamam sobre o aumento repentino no valor de muitos materiais e na demora da entrega. Em agosto, chegou a faltar tijolos na cidade, e isso até hoje afeta no preço do item, que chegou a dobrar.

Em entrevista ao Jornal Midiamax, o engenheiro Lucas Delmondes, 25 anos, fala sobre as dificuldades que o setor está enfrentando. Obras atrasadas e planejamentos financeiros extrapolados são comuns de agosto para cá.

Ele explica que com o aumento do valor dos materiais, o preço do orçamento inicial chega a aumentar 30% em uma construção. No entanto, mesmo com o aumento do custo da obra, na hora da venda, o imóvel não é valorizado na mesma proporção. Com isso, quem investe no setor tem vivido diminuição dos lucros com as negociações.

Além dessa desvalorização, o prazo das obras também é outro desafio.  Materiais que tinham o prazo de entrega de quatro dias, agora só chegam em 40. Com isso, partes das obras precisam ser paradas por um tempo, e atrapalha todo o cronograma, desde obras pequenas até construções de maior porte.

Mesmo com vários obstáculos, segundo o engenheiro, a busca por construção aumentou. “As pessoas ainda estão buscando construções de imóveis como meio de investimento, por conta de alguns juros que estão baixos”, diz.

Mudança de planos

A assistente social Marcilene Dutra Bonfim, começou uma reforma em sua casa no mês de junho, no meio do processo, ela foi surpreendida com o aumento, que chegou a ser mais de 67% nos tijolos. Ela conta que teve que estender prazos e se adaptar e priorizar alguns projetos para que a conta do seu orçamento inicial conseguisse fechar.

Na visão dela, o aumento do preço dos materiais se deu por conta da grande procura que o setor teve. A pandemia desacelerou a produção industrial, causando escassez de alguns produtos no mercado, o que faz com que os empresários aproveitem para garantir um lucro maior.

Ela também acredita que o auxílio emergencial tenha influenciado na demanda pelos materiais. “A injeção de dinheiro, com o auxílio emergencial do Governo Federal, fez com que muita gente aproveitasse o valor pra dar uma organizada nas casas”, completa.

Jornal Midiamax