Cotidiano

‘Diabo de poeira’: redemoinho destruiu barracos e famílias pedem ajuda em Campo Grande

Casas foram destelhadas com a força do redemoinho registrado nessa segunda-feira, no bairro Jardim Noroeste, em Campo Grande.

Gabriel Maymone Publicado em 15/09/2020, às 11h20 - Atualizado às 15h14

Fátima de Toledo exibe tampa de panela que foi arremessada com força do redemoinho. (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)
Fátima de Toledo exibe tampa de panela que foi arremessada com força do redemoinho. (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax) - Fátima de Toledo exibe tampa de panela que foi arremessada com força do redemoinho. (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Alguns chamam de pé-de-vento, torvelinho ou até mesmo ‘diabo de poeira’, mas o fato é que o redemoinho registrado nessa segunda-feira (14), no Jardim Noroeste, causou estragos para duas famílias, que tiveram as casas destelhadas.

A reportagem do Jornal Midiamax esteve nas casas atingidas e constatou a força do fenômeno. Na casa de Fátima Toledo, 54 anos, além de arrancar algumas telhas, a força do redemoinho deixou um rastro de destruição. “Até agora estou impactada. Eu olho e não consigo acreditar”, lamenta e exibe uma tampa de panela que ficou amassada.

O susto foi grande, mas Fátima agradece por não ter acontecido algo pior com a neta de 10 anos que mora com ela. “Ainda bem que a gente conseguiu sair, porque isso [a casa] a gente constrói, agora a vida não dá, né? ”. Com ajuda de vizinhos, Fátima improvisou uma lona para tapar o vazio deixado pelas telhas.

Fátima conseguiu improvisar uma lona
Fátima conseguiu improvisar uma lona para tapar o buraco no telhado. (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Mais prejuízo

A outra casa atingida pelo ‘diabo de poeira’ foi a de Juliana Monike da Silva, 27, que teve metade do telhado levado pela força do redemoinho. Ela conta que estava no trabalho, quando vizinhos ligaram para contar o ocorrido.

“Não acreditei, porque como ia acontecer isso se nem estava ventando na hora? ”, indagou Juliana

Ela tem dois filhos – de 5 e 4 anos – e agradece por estarem todos bem. “Graças a Deus meus filhos não estavam em casa e não destruiu geladeira nem fogão”, disse. Juliana ainda não conseguiu uma lona para tampar o buraco no telhado e dormiu sem cobertura esta noite. Seus filhos dormiram em um vizinho, pois ela estava com medo de que pudesse haver um desabamento.

redemoinho em Campo Grande
Juliana mora com seus dois filhos e ainda está com o telhado aberto. (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Provenientes da Favela do Linhão, Fátima e Juliana pedem ajuda para reconstruir o que foi destruído. Além de tijolos, madeira e telhas, elas pedem fios, pois foram arrebentados com a força do redemoinho. Para realizar o serviço elas contam com a solidariedade do vizinho Fernando Soares, que é pedreiro e se prontificou em ajudar.

Quem quiser pode ajudar com doação de materiais para Fátima e Juliana reconstruírem suas casas. Basta entrar em contato com elas: Juliana (99293-3172) e Fátima (99355-2675).

O que é o fenômeno?

Em uma semana, a reportagem do Jornal Midiamax publicou dois registros desses redemoinhos em Campo Grande. O mais recente, nessa segunda-feira (14), destelhou duas casas no Jardim Noroeste. Outro, na quinta-feira (10), foi registrado no Ceasa e, apesar de não causar estragos, intrigou trabalhadores.

‘Diabo de poeira’: redemoinho destruiu barracos e famílias pedem ajuda em Campo Grande
Rastro de destruição deixado pelo redemoinho no Jardim Noroeste. (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

O meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Olívio Bahia, explica que as condições registradas nessa época do ano favorecem o aparecimento desses redemoinhos. “Esse tipo de fenômeno é bem comum nessa época do ano. Assim, é provocado pelo forte aquecimento da superfície, que ao aquecer de forma diferente, gera pressão mais baixa. Essa condição faz com que o ar suba. Em alguns momentos em forma de espiral. Ela pode ser bem forte, nada absurdo, mas se passar ao lado de casas pode destelhar, explica.

Para não confundir: redemoinho de poeira como os registrados em Campo Grande são diferentes de tornados, em que “a nuvem funil sai da base da nuvem para o chão”. Já no redemoinho, o ar de baixo sobe e forma a espiral.

Jornal Midiamax