Cotidiano

Após dengue, morre em Campo Grande líder indígena que ajudou a elaborar Constituição

Faleceu na tarde do domingo (24), em Campo Grande (MS), o líder indígena Guarani-Kaiowá Eduardo Barbosa Pereira, aos 78 anos, em decorrência de uma parada cardíaca. Eduardo Índio, como também era conhecido, contraiu dengue e teve queda de plaquetas. Mas, mesmo após estabilizar da doença, ficou com o pulmão debilitado. De acordo com a família, […]

Guilherme Cavalcante Publicado em 25/03/2019, às 09h10 - Atualizado às 15h49

Sepultamento de Eduardo Índio será às 15h30 da segunda-feira (25), no Parque das Palmeiras, em Campo Grande (Foto: Reprodução | Facebook)
Sepultamento de Eduardo Índio será às 15h30 da segunda-feira (25), no Parque das Palmeiras, em Campo Grande (Foto: Reprodução | Facebook) - Sepultamento de Eduardo Índio será às 15h30 da segunda-feira (25), no Parque das Palmeiras, em Campo Grande (Foto: Reprodução | Facebook)

Faleceu na tarde do domingo (24), em Campo Grande (MS), o líder indígena Guarani-Kaiowá Eduardo Barbosa Pereira, aos 78 anos, em decorrência de uma parada cardíaca. Eduardo Índio, como também era conhecido, contraiu dengue e teve queda de plaquetas. Mas, mesmo após estabilizar da doença, ficou com o pulmão debilitado.

De acordo com a família, ele estava internado na CTI (Centro de Terapia Intensiva) do Hospital Militar de Área de Campo Grande, após o estado de saúde evoluir para um quadro de pneumonia.

O líder teve a vida marcada pela representação de comunidades indígenas em diversas instâncias. Dentre os feitos, estão a participação da comissão indígena que incluiu os artigos 231 e 232 na Constituição Federal de 1988. A partir da década de 1980, Eduardo Índio atuou na representação indígena em Mato Grosso do Sul, sendo presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Índio (CEDI) por 12 anos.

Dentre as conquistas das quais participou, também estão a carteira de trabalho indígena, a promoção de diversos cursos profissionalizantes para sua comunidade, além de ter atuado pela realização dos Jogos Estaduais Indígenas, enquanto esteve à frente do conselho estadual. Conhecido por ter integrado a comissão indígena da Assembleia Constituinte da Constituição de 1988, o indígena pertencia à etnia guarani-kaiowá e militava na causa indígena desde a década de 1960.

Eduardo também integrou o Conselho Municipal dos Direitos e Defesa dos Povos Indígenas (CMDDI) de Campo Grande. Sua articulação junto ao poder público também resultou na regularização fundiária da aldeia urbana Água Bonita, na região do Nova Lima, na Capital.

Eduardo também representou o CMDDI duranto os I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, em palmas (TO) em 2015, sendo um dos coordenadores da edição e responsável pela Oca da Sabedoria, onde todos os dias, durante os jogos, debates eram realizados.

O velório de Eduardo Índio é realizado desde a meia noite desta segunda-feira (25), no cemitério Parque das Palmeiras (Avenida Tamandaré, 6934 – Jardim Seminário), onde também ocorrerá o sepultamento, às 15h30. Ele deixa mulher, com quem foi casado por 52 anos, 10 filhos e 11 netos.

Jornal Midiamax