Cotidiano

Acolhimento da Prefeitura tira pessoas das ruas e garante trabalho e dignidade

Depois de anos vivendo na rua, se perde tudo. Dos documentos, a vontade de querer mudar. Sair da rua definitivamente não é decisão fácil! É preciso mais que vencer vícios. É preciso ter apoio para voltar a ter uma vida digna. Ter um lugar onde morar e não correr o risco da próxima esquina se […]

Éser Cáceres Publicado em 25/07/2019, às 16h54 - Atualizado em 26/07/2019, às 09h53

Foto: Divulgação
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Depois de anos vivendo na rua, se perde tudo. Dos documentos, a vontade de querer mudar. Sair da rua definitivamente não é decisão fácil! É preciso mais que vencer vícios. É preciso ter apoio para voltar a ter uma vida digna. Ter um lugar onde morar e não correr o risco da próxima esquina se tornar moradia novamente.

Neste sentido, a Prefeitura de Campo Grande, por meio das Secretaria Municipal de Assistência Social e da Subsecretaria Municipal de Desenvolvimento Humano, promove um trabalho de acolhimento aos moradores de rua, que o resgatam verdadeiramente desta condição.

As ofertas vão desde o Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS), que realiza abordagem, busca ativa, que identifica, nos territórios, a incidência de situações de risco pessoal e social, por violação de direitos. Neste sentido, as pessoas que aceitam o atendimento são encaminhadas ao Centro POP e ao Centro de Triagem do Migrante e População em Situação de Rua – Cetremi.

Ou ainda em instituições parceiras, como os centros terapêuticos para dependentes ou ainda as Casas de Apoio. A Associação de Apoio à População em Situação de Rua São Francisco de Assis, por exemplo, atende 40 pessoas que viviam nas ruas e hoje moram no local (internos), além dos flutuantes, que vão ao local apenas para fazerem higiene pessoal e se alimentarem.

“Quando eles chegam aqui, recebem um kit de higiene e passam pela enfermagem para ver como está a saúde deles. Verificado isso, é encaminhado para o CAPS ou para o AA, para iniciarem o tratamento de desintoxicação. Além disso, providenciamos os documentos. Quando eles não têm, procuramos a família para tentar estabelecer vínculos”, diz Maria Luíza Serrou dos Santos, 76 anos, presidente da Associação.

 Adilson Costa de Sousa, 36 anos, chegou ao local há 6 meses. Ele conta que não é sua primeira passagem por ali. “Eu já fiquei na rua uma vez por dez anos. Depois, me recuperei, casei, formei família, e ai por desentendimentos, recaí. Voltei para rua e acabei ficando mais cinco anos. Agora, quero me tratar, conseguir trabalho e nunca mais voltar”, diz.

Também por problemas familiares, Marcelo Luiz Barreto, 49 anos, perdeu tudo. A profissão de radialista ficou para trás, assim como a família, os filhos e os amigos. Hoje, está sozinho em Campo Grande e na Casa de Apoio busca uma forma de se reencontrar.

“Sou adicto em recuperação e por causa disso, perdi tudo. Estou aqui há 40 dias e quero me recuperar para poder procurar um trabalho”, afirma.

Já Rafael ferreira dos Santos, 23 anos, sonha em voltar para casa e ver a mãe. “Desde os 15 anos estou na rua. Fui morar de casa em casa de parente, até que tive que me virar sozinho. Faz oito anos que não vejo minha mãe. Só o que quero é voltar para ela e encontrá-la”, afirma.

Já recuperado, Aniceto Benites, 48 anos, voltou a exercer a profissão de serralheiro. Depois de nove meses em tratamento na Comunidade terapêutica Jaboque, que tem convênio com a Prefeitura, ele está há cinco na casa de apoio da instituição.

“Morei quatro meses na frente do Cemitério Santo Antônio. Ai, fui ao Centro POP e pedi ajuda. Na rua mesmo me falaram de lá. De lá, me encaminharam pro Jaboque, e agora eu estou aqui, retomando a minha vida. A gente, que é dependente, é muito difícil perseverar. Se não temos para onde ir, caímos na rua de novo. Esse projeto é muito importante para gente voltar a ser gente de novo. Hoje, minha família voltou a falar comigo. Mas aqui é a família que eu escolhi e não quero sair daqui”, relatou.

O pintor Maycon Jonathan, 29 anos, teve quatro overdoses, até que percebeu que tinha que mudar, ou morreria.

“Um amigo me levou pro Jaboque e lá eu consegui vencer o vício, por hoje. Mas, para eu continuar, tenho que ter ajuda, porque não tenho pra onde ir. Faz oito meses que estou aqui e hoje trabalho com carteira assinada”, diz, orgulhoso.

O primeiro morador da casa, Djalma José Messias, 53 anos, no momento está sem trabalho, mas conta que está há 3 anos em abstinência.

“Desde que cheguei aqui, que terminei o tratamento, nunca mais bebi nada. Não quero mais a escravidão da bebida. Agradeço a Deus por este projeto”, diz.

A Casa de Apoio Jaboque, no momento, tem sete moradores, além do pastor Magno ribeiro Gomidez, 44 anos.  Há um ano e meio na Casa, ele conta que ali cada um tem suas tarefas e obrigações.

“Todos aqui ajudam com tudo. Com a limpeza, com a cozinha. Mas também tem de tudo. Tem café da manhã, almoço, janta, um lugar para dormir. Para muitos aqui, somos a família deles, já que a família mesmo, já perdeu as esperanças e não acredita mais na mudança. Somos a luz que eles precisam para continuar”, finaliza.,

Divulgação dos números da busca ativa e denúncias que podem ser realizadas pelos números: (67) 9-8404-7529 (67) 9-8471-8149 Serviço Especializado em Abordagem Social – SEAS.

Jornal Midiamax