Cotidiano

Após ‘promessa’ de Bernal a Trad, estudo aponta alta maior que inflação na passagem

Prefeito eleito disse que não haverá aumento neste ano

Wendy Tonhati Publicado em 17/11/2016, às 15h15

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Prefeito eleito disse que não haverá aumento neste ano

Os aproximadamente 216 mil passageiros que utilizam o transporte coletivo diariamente, em Campo Grande, continuam sem saber quando a tarifa terá aumento. Na ultima quarta-feira (16), o prefeito eleito Marquinhos Trad (PSD) afirmou que o atual prefeito, Alcides Bernal (PP), não irá aumentar o passe de ônibus de Campo Grande. Porém, no mesmo dia, a Agereg (Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande) entregou a Bernal o estudo que indica o percentual de aumento: em torno dos 9%. Para piorar a situação dos usuários, os empresários pedem em torno dos R$ 13%. 

Os dois valores ficam acima da inflação medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – [INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) em 8,5%, e o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), 7,87%], e também, do reajuste dos motoristas de ônibus [8,5%]. Com o aumento, o passe, que atualmente tem valor de R$ 3,25, passaria para valores em torno dos R$ 3,55, nos cálculos da Prefeitura e R$ 3,67, nas contas do Consórcio Guaicurus, que reúne as empresas que operam as linhas da Capital. A palavra final fica por conta do atual prefeito ou do próximo. Do ano de 2015 para 2016 , a passagem o percentual de reajuste foi de 8,83% . 

A diretora-presidente da Agereg, Ritva Cecilia Garcia Vieira, explica que a diferença entre as contas da Agência e dos empresários, deve-se a diferença no cálculo do IPKe (Índice de Passageiros Pagantes por Quilômetro Equivalente). Conforme Ritva, os empresários reclamam de como a conta desse índice é feita, porém, a administração municipal segue o que é definido no contrato de concessão. 

“Eles [empresários] têm um entendimento que o IPKe não está tendo a incidência que deveria ter sobre a tarifa. Que o índice não está de fato, representando um peso na tarifa. Eles [empresários] entendem que deveria ser modificada essa fórmula de cálculo. Mas essa não é um procedimento feito de qualquer forma. A partir do momento que há uma demanda deles nesse sentido, vão ser feitas algumas análises para saber se procede ou não esse entendimento”, diz. 

A maior reclamação dos empresários é com relação a queda no número de passageiros pagantes, por mês. Levando em consideração o número de pessoas transportadas por dia em 2014 (215.860) e a população oficial da Capital no último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 786.797 habitantes. 1 em cada 3,6 habitantes utilizam o transporte público. 

A frota dos ônibus do transporte coletivo em Campo Grande não tem apresentado grande evolução no número de veículos. Conforme dados da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), em dez anos, entre 2004 e 2014, o número de ônibus não saiu da casa dos '500'. Eram 511 veículos em 2004 e passou para 583 em 2014. 

Dados da página do Consórcio Guaicurus indicam que a frota aumentou para 593 veículos em 2015/2016. Já o número de passageiros caiu em média 18 mil pessoas por dia. De 215.860, em 2004, para 197.53, em 2014.

“A questão do passageiro pagante é uma responsabilidade muito grande por parte do Consórcio [Guaicurus]. Você atrai passageiros quando tem um serviço de muita qualidade. Temos que melhorar a qualidade do serviço para que o passageiro aumente novamente. Existe uma perda passageiro mês decorrente de uma série de demandas por qualidade”, afirma Ritva. 

A tarifa do transporte coletivo teve aumento de 30% nos últimos cinco anos, em Campo Grande. Entre 2010 e 2016, o valor passou de R$ 2,50 para R$ 3,25.

Jornal Midiamax