Após 2 horas e meia de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), divulgou uma nota sobre o encontro na noite desta terça-feira, 28, e garantiu que a Casa trabalhará em busca de um consenso sobre o rito da tramitação das Medidas Provisórias (MPs) – alvo de disputa entre ele e o presidente da Câmara, (PP-AL). Na conversa, segundo Pacheco, também foi abordada a questão da taxa de juros no País, e o senador disse que houve “reconhecimento mútuo” entre ele e o chefe do Executivo sobre o tema.

Em nota divulgada à imprensa na noite desta terça-feira, 28, Pacheco afirmou que garantiu ao chefe do Executivo que trabalha no “encaminhamento da busca de um consenso” sobre o rito das MPs no Congresso. Conforme mostrou a reportagem, nesta tarde, o senador concordou em estabelecer prazos para as comissões mistas analisarem as propostas enviadas pelo governo, mas disse que há dificuldades em aceitar a mudança na composição dos colegiados sugerida por Lira. O senador defendeu a paridade entre senadores e deputados nas comissões mistas como uma forma de “controle qualitativo” das MPs – proposta diferente feita pelo deputado.

Outro ponto da conversa foi o arcabouço fiscal, em que o senador garantiu que dará “celeridade devida” ao tema. Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que nesta quarta-feira, 29, haverá uma reunião conclusiva para bater o martelo sobre o novo arcabouço fiscal. De acordo com o ministro, a proposta da nova âncora fiscal será divulgada ainda nesta semana.

Em meio à esteira de críticas de Lula em relação à taxa de juros e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, Pacheco citou que houve “reconhecimento mútuo” de que a taxa de juros está alta. “Afirmei ao presidente a importância de encontrarmos caminhos sustentáveis para a redução da taxa o mais rápido possível”, afirmou, juntando-se às críticas de Lula.

Pacheco disse que outro ponto da conversa foi sobre a regulação das e da plataforma de internet. O presidente do Senado afirmou que o tema será debatido pelo Congresso e que será preciso o apoio do governo federal.

O senador havia sido convidado a integrar a comitiva presidencial de Lula à China, que tinha viagem prevista para esta semana. A ida ao país asiático, contudo, foi cancelada após o presidente da República ter sido diagnosticado com pneumonia e influenza A. Na nota, Pacheco disse que o presidente renovou o convite para que o senador integre a comitiva, diante do esforço do governo em fechar uma nova data de viagem.

Pacheco chegou ao por volta das 17h10. Além de Lula e o presidente do Senado, participaram da reunião o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e os líderes do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Apesar de o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta, ter afirmado mais cedo que Lula voltaria a trabalhar no Palácio do Planalto a partir de amanhã, o presidente permanecerá despachando do Palácio da Alvorada nesta quarta-feira.