O alerta foi emitido para o Brasil e mais 13 países 

Ao Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês) dos Estados Unidos emitiram nesta sexta-feira um alerta de viagem de nível 2, de um total de 3, para 14 países da América Latina e do Caribe, entre eles o Brasil, onde há registro de contágio do zika vírus, no qual recomenda que as mulheres grávidas, ou que planejam engravidar, evitem viajar para esses lugares.

O alerta foi emitido para Brasil, Colômbia, El Salvador, Guiana Francesa, Martinica, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Suriname, Venezuela e Porto Rico.

Os CDC não incluíram Equador, Guiana e a ilha de San Martín no alerta, lugares que, no entanto, constam na lista de territórios afetados pelo vírus, elaborada pela OPS (Organização Pan-Americana da Saúde).

“Este alerta responde às informações de casos de microcefalia e outros problemas de saúde em bebês cujas mães foram infectadas com o zika vírus quando estavam grávidas”, explicaram os CDC em comunicado.

“Até que se saiba mais sobre esse vírus, e por cautela, recomendamos precauções especiais tanto para as grávidas como para as mulheres que estão tentando ficar grávidas”, acrescentou a agência americana.

Caso não possam adiar sua viagem, os CDC recomendam que as mulheres consultem um médico para saber as medidas que deverão tomar para evitar as picadas dos mosquitos.

A OPS, no entanto, não pede que as grávidas não viajem e só recomenda em seu guia sobre o vírus que consultem um médico para solicitar assessoria sobre a conduta a ser seguida em caso de deslocamento para um país onde há a presença do zika vírus.

“O principal é evitar a picada de mosquitos para prevenir a infecção por zika, dengue e chicungunha. Nesse sentido, as grávidas e as mulheres em idade reprodutiva devem seguir as mesmas recomendações para todos os viajantes”, alertou a OPS, um órgão ligado à OMS (Organização Mundial da Saúde).

A infecção pelo zika vírus é causada pela picada de mosquitos infectados do gênero Aedes aegypti, e costuma causar febre, manchas vermelhas no corpo, conjuntivite e dores musculares.

Por enquanto, não há uma vacina para prevenir o contágio, nem remédios específicos para tratar a doença que, em cada quatro de cinco casos, não apresenta sintomas, de acordo com os CDC.

A agência americana continuará atualizando esse alerta já que é difícil determinar as áreas onde existe o risco de contágio do vírus.

Os CDC estão trabalhando com especialistas em saúde do Departamento de Saúde americano para dar passos adicionais relacionados com o zika vírus e desenvolver vacinas, melhorar os diagnósticos e elaborar guias e campanhas públicas de informação.

No dia 3 de março de 2014, o Chile notificou à OPS a confirmação de um caso de transmissão autóctone de febre pelo zika vírus na Ilha de Páscoa. Segundo a OPS, a presença do vírus foi detectada até junho daquele ano naquele local.

Em maio de 2015, as autoridades de saúde do Brasil confirmaram a transmissão do zika vírus no nordeste do país. Desde outubro de 2015 até agora, outros países e territórios do continente americano reportaram a presença do vírus.

Os especialistas ainda estão investigando qual é o efeito desse vírus sobre os fetos. No dia 28 de novembro de 2015, o Ministério da Saúde do Brasil estabeleceu a relação entre o aumento dos casos de microcefalia no nordeste do país com a infecção pelo zika vírus.

De acordo com a análise preliminar da pesquisa realizada pelas autoridades brasileiras, “provavelmente, o maior risco de microcefalia e má-formação está associado com a infecção no primeiro trimestre de gravidez”, de acordo com a OPS.

As autoridades de saúde, com o apoio da OPS e de outras agências, estão realizando várias pesquisas nas quais esperam esclarecer as causas, os fatores de risco, e as consequências da microcefalia.

Trata-se de um vírus novo para a região, que até o momento tinha tido uma distribuição geográfica e demográfica muito limitada, sem evidência de letalidade.

No entanto, foram notificados casos esporádicos de pacientes com doenças e condições preexistentes, nos quais as manifestações e complicações do vírus poderiam ser mais graves, podendo, inclusive, levar à morte.