Ossos são do período pleistoceno

Trabalhadores de uma obra pública em Alagoinha, no Agreste de Pernambuco, encontraram ossos de animais pré-históricos. No entanto, habitantes da região levaram parte dos fósseis para suas casas, de acordo com o periódico pernambucano “Jornal do Commércio”.

Os fósseis teriam aparecido quando uma lagoa foi escavada pela Prefeitura, em uma área rural da cidade. A obra era de abastecimento d’água para a população do local. Francisco Valdir Dimas de Carvalho, secretário municipal de Cultura de Alagoinha, afirma que as pessoas não sabem a gravidade de saquear um tesouro paleontológico.

“Infelizmente, as pessoas não sabem da importância de um fóssil. Ficando com esse material, elas podem até responder por crime, no futuro. Estamos tentando localizar os moradores para recuperar os ossos”, diz Carvalho em entrevista ao jornal recifense.

“Estamos aguardando a visita do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), para resolver como faremos a partir de agora”, disse ainda o secretário. O Iphan respondeu, segundo o Jornal do Commércio, que ‘o assunto é de responsabilidade do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral)’.

Alcina Barreto, professora do Departamento de Geologia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), afirma que o DNPM deve fornecer a autorização para pesquisas, mas o responsável por preservar o patrimônio fóssil é o Iphan.

Os fósseis encontrados pertenceriam a uma espécie de mamíferos do período pleistoceno. “São animais que pesam mais de uma tonelada”, diz Alcina Barreto. “É um achado de relevância científica grande. Com esse material podemos identificar como era a vegetação e o clima da região há 50 mil anos. Certamente eram bem diferentes”, afirma ainda a pesquisadora.