Comitiva voltou ontem à casa de detenção para verificar o que foi feito após um ano da denúncia das condições do local

P>O esgoto escorre pelas paredes. Uma equipe médica de 12 pessoas trabalha pelas 72 que se fazem necessária. Até o acesso à Justiça é negociado. Esse foi o cenário que o presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Marcus Vinícius Furtado Coêlho encontrou ontem no Presídio Central de Porto Alegre.

A entidade começou pela capital as vistorias nas casas prisionais que mais preocupam no país. “A competição é forte, mas essa é uma das piores mesmo”, conclui Coelho, após duas horas dentro do Central.

Vice-presidente da entidade, Claudio Lamachia, não poupou críticas aos governantes que não investem no local. “Há mais de um ano recebemos a promessa e o compromisso do secretário de segurança de que, até o final de 2013, 3 mil novas vagas seriam criadas. A menos que tirem 3 mil presos daqui essa semana, a promessa não será cumprida”, aponta o advogado.

Com a direção do Crea e do Cremers, a OAB promete preparar novo relatório e representar por uma medida cautelar junto à corte internacional de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos), em nome de seu Conselho Federal. “É diferente da denúncia que já foi feita. É um pedido de medida imediata e enérgica. Os governantes precisam se responsabilizar”, diz Lamachia.

O Presídio Central de Porto Alegre foi construído para abrigar 2.069 presos. Em 2012, a OAB encontrou lá 4.680. Saiu com a promessa de diminuição, mas ontem encontrou 4.440.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública disse que vai aguardar o relatório oficial da OAB para se manifestar.