Ação movida pela prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), para barrar reajuste no próprio salário, promulgado pela Câmara de Vereadores, ganha novo personagem. A Federação Nacional dos Auditores Fiscais peticionou no processo para defender o aumento, que impacta na remuneração da categoria.
Conforme documento protocolado na noite de quarta-feira (26), a entidade aponta que uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) não é o tipo de proposição correta para esse tipo de questionamento.
Com esse argumento, a federação pede que sua ‘participação’ na ação seja aceita pela Justiça de MS, bem como seus argumentos, para fazer valer reajuste que vai ‘turbinar’ o salário da categoria, que estava em R$ 21.263,62 e passa para R$ 41.845,62 com a nova lei.
A prefeita Adriane Lopes afirmou que não concorda com o aumento e ingressou com ação na Justiça para anular a lei promulgada pelos vereadores que prevê o reajuste.
Auditores reclamam de ‘congelamento’ de salários por aumento para R$ 41,8 mil
Os auditores fiscais de Campo Grande alegaram sofrer perdas de renda por causa da inflação.
Através do Sindafir-CG (Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Municipal de CG), a categoria se manifestou no processo, alegando que sofre com redução do poder de compra, já que teve salário ‘congelado’ por alguns anos.
Assim, a categoria apontou que “a inflação no período – desde 01/02/2013 até 31/12/2024 – foi de 95,4212%, de modo que a remuneração deveria ser de no mínimo R$ 41.550,14, configurando a perda remuneratória dos filiados do Requerente em dito lapso temporal de 95,4212%”.
Para efeito de comparação, o Sindafir comparou que os ganhos do salário mínimo dos últimos 12 anos foram de 144,05%, que subiu de R$ 622 para R$ 1.518.
O caso será apreciado pelo relator, desembargador Odemilson Roberto Castro Fassa, que irá analisar se concede liminar anulando o reajuste.
Leia também – Prefeita se diz contrária a reajuste e vai recorrer contra aumento salarial para R$ 41,8 mil
Câmara diz que aumento de salário de Adriane está previsto no orçamento e insiste em manter reajuste
À Justiça, a Câmara Municipal de Campo Grande alegou que o município de Campo Grande fez os cálculos do impacto financeiro no orçamento que o aumento no salário da prefeita Adriane Lopes (PP) e outros 446 servidores que ‘pegam carona’ no reajuste.
Conforme documentos anexados no processo, a Câmara afirma que a prefeitura fez os cálculos do reajuste, estimando que o custo real sobre a folha de pagamento seria de R$ 3.246.357,57. Por outro lado, um dos argumentos da prefeita é de que a lei é inconstitucional, uma vez que não estaria baseada em estudo de impacto financeiro, que deveria ter sido elaborado antes da apresentação do projeto.
Ainda, o Legislativo questiona a demora da prefeita em entrar com a ação, quase dois anos após a lei ser promulgada.
No fim de janeiro, o magistrado havia negado liminar para suspender a lei. “Notadamente porque a lei impugnada, nos termos do seu art. 5º, somente produzirá efeitos financeiros a partir de 1º de fevereiro de 2025”.
Vale ressaltar que outra ação com o mesmo pedido havia sido ingressada pelo MP após a promulgação da lei. No entanto, o processo está suspenso, já que a Justiça estadual precisa aguardar o julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o assunto, o que ainda não aconteceu.
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Prefeita questiona Lei aprovada pela Câmara
Na Justiça, Adriane Lopes questiona a Lei nº 7.006/2023, que aumenta o salário da prefeita dos atuais R$ 21.263,62 para R$ 41.845,62.
Na petição inicial, Adriane lembra que “o projeto de lei que fixou os subsídios é de competência exclusiva da Câmara Municipal de Campo Grande”. Contudo, apontou falhas no processo de apresentação do projeto de lei aprovado que originou a lei de reajuste salarial.
“Apesar de aparentemente normal o ato normativo ora impugnado, referida lei está eivada de inconstitucionalidade por vício formal, por violação ao art. 113 do ADCT da Constituição Federal”. Ou seja, defende que “a despesa criada através da lei impugnada não foi precedida do correto estudo de impacto orçamentário e financeiro”.
A prefeita afirmou que o estudo “deveria ter sido elaborado antes mesmo da apresentação do projeto de lei, a fim de embasar a viabilidade econômica”.
“Projeto de Lei n. 10.879/2023, o mesmo não traz qualquer informação da estimativa do impacto orçamentário-financeiro do aumento dos subsídios sobre o exercício de 2025, considerando a sua vigência a partir de 01 deste corrente ano, e muito menos dos dois anos subsequentes”, disse.
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Reajuste aprovado na Câmara
O reajuste, marcado por polêmicas, foi aprovado na Câmara de Vereadores por meio da Lei nº 7.006/2023 e entrará em vigor a partir de fevereiro deste ano.
Em nota encaminhada ao Jornal Midiamax em 6 de janeiro, a prefeitura afirma que a iniciativa do aumento do salário foi “conduzida exclusivamente pelo Poder Legislativo, sem qualquer participação do Executivo Municipal”.
Em 2023, a prefeita chegou a entrar na Justiça e defendeu que o aumento fosse concedido apenas aos servidores cujas remunerações estão vinculadas ao teto definido pelo subsídio do prefeito e estão defasadas há mais de 10 anos, mas a Câmara de Vereadores recorreu.
De acordo com a Lei nº 7.006/2023, o salário da prefeita passa dos atuais R$ 21.263,62 para R$ 41.845,62. Já a remuneração da vice-prefeita Dra. Camila Nascimento (Avante) sairia de R$ 15.947,00 para R$ 37.658,61.
Os titulares das pastas do primeiro escalão, como secretários e chefes de autarquias, também receberão aumento a partir de fevereiro, saltando dos atuais R$ 11.619,70 para R$ 35.657,50.
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