Publicidade é a alma do negócio? Ou do candidato? Uma boa parte dos concorrentes nas eleições municipais de 2020, seja para prefeito ou vereador, investiu fortemente os recursos em divulgação ou em despesas com pessoal. Consulta realizada no DivulgaCand – portal do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que mostra as prestações de contas realizadas pelos candidatos – aponta que os políticos chegaram a direcionar até 70% do dinheiro em propaganda. 

Além disso, os concorrentes ao cargo de chefe do executivo da Capital também investiram em alimentação, atividades de militância, serviços prestados por terceiros, advogados, entre outros.

O concorrente à prefeitura Dagoberto (PDT) chegou a destinar mais de R$ 1 milhão como doação a outros candidatos. Já outros adversários chegaram a desembolsar até quase meio milhão de reais em programas de rádio, televisão e vídeo.

Vale ressaltar que a matéria utiliza os nomes dos partidos que constaram nas urnas nas épocas das eleições. Nem todos os políticos permanecem na mesma sigla até hoje.

Esta é a terceira matéria da série do Midiamax que mostra as despesas nas campanhas municipais no pleito passado. A primeira indicou que, para ser eleito prefeito na Capital, o custo por voto ficou quase R$ 5 mais barato no intervalo de 16 anos. Já a seguinte, mostrou sobre como os vereadores mais bem votados foram os que menos gastaram na última campanha em Campo Grande.

Dos 14 candidatos ao chefe do executivo em 2020, seis investiram em propaganda na internet ou em outros meios de comunicação. 

Márcio Fernandes (MDB), Esacheu Nascimento (PP), Pedro Kemp (PT) e Paulo Matos (PSC) declararam que as maiores despesas na campanha foram na produção de programas de rádio, televisão ou vídeo. 

Já Marcelo Bluma (PV) e João Henrique Catan (PL) decidiram investir na internet e os maiores gastos foram com impulsionamento de conteúdos. No caso do candidato do Partido Verde, 47,71% (R$ 128.083,00) dos recursos de campanha foram para esse objetivo.

Em conversa com o Midiamax, Marcelo Bluma explicou que investiu fortemente em impulsionamento por alguns motivos, como os cancelamentos de debates e menos atividades na rua por causa da pandemia de Covid-19.

“Não conseguimos formar coligação com nenhum outro partido porque a lei eleitoral foi alterada e restaram proibidas as coligações para as chapas proporcionais. Então, o meu tempo de rádio e televisão foi o menor de todos os candidatos a prefeito e tivemos que buscar a opção das mídias sociais, via impulsionamento, para tentar ter visibilidade”, justifica.

Investimento de até 77% em publicidade

Os vereadores também investiram forte na propaganda, mas em materiais como santinhos e faixas. No caso do primeiro colocado, dos R$ 13.504,00 totais gastos na campanha de Tiago Vargas (PSD), 77,04% (R$ 10.404,00) foram para publicidade por materiais impressos.

Procurado pela reportagem, o parlamentar afirmou que investiu forte nas redes sociais, o que reduziu os custos com a campanha. “Isso [a internet] torna a campanha ao meu ver muito mais eficaz e prática. Eu gastei o mínimo possível com materiais impressos porque nem todo mundo conhecia a minha história. Então, para aquelas pessoas que não conheciam a minha história eu fazia a distribuição de panfletos nos semáforos de Campo Grande”, apontou.

O mesmo investimento também foi feito pelos adversários que ficaram nas últimas colocações. Coronel Alírio Villasanti (PSL), que ocupou a 28ª das 29 vagas, investiu 27,70% dos recursos também em publicidade de materiais impressos. 

Despesas com pessoal

Alguns candidatos decidiram investir em impulsionamento de conteúdo. Imagem Ilustrativa. (Ana Laura Menegat, Jornal Midiamax)

O tópico de despesas com pessoal, como os cabos eleitorais, também apareceu com força na campanha de quatro anos atrás. 

Zé da Farmácia (PODE), que ficou em terceiro lugar na corrida eleitoral para vereador, investiu 90,91% (R$ 4.045,50) dos recursos de campanha nesta área. Em conversa com o Midiamax, o parlamentar afirmou que o investimento trouxe bons resultados. “Por fazerem o trabalho de distribuição de material [santinhos] organizarem reuniões, bandeiradas e, principalmente, trazerem seus familiares para dentro da campanha”, justificou.

O então correligionário Ronilço Guerreiro também apostou no pessoal e destinou mais de um terço dos gastos totais da campanha (34,72%) com essa área. 

O cientista político e professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Daniel Miranda, afirma que, mesmo com avanço do uso das mídias sociais, as estratégias tradicionais (como cabo eleitoral, adesivagem, rádio/TV) ainda têm força em uma campanha.

“Mas, é claro, o emprego focalizado do impulsionamento nas redes sociais tem cada vez mais importância, principalmente para consolidar o que é veiculado nas demais mídias”, explica.

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