Flagrado com R$ 88,4 mil em , em casa, durante a Operação Tangentopoli na última quarta-feira (16), vereador do Zico (PSDB) já responde ação por corrupção. O fato teria acontecido em 2021, enquanto ele era presidente da Câmara Municipal de .

Conforme detalhado na ação proposta pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), Tiago Gomes de Oliveira, o Tiago do Zico, teria solicitado ‘favor’ ao então prefeito, João Alfredo Danieze (Psol). O chefe do executivo acabou denunciando o caso à polícia.

Consta ainda na peça que Tiago teria enviado mensagem ao prefeito, perguntando se ele não iria ‘amaciar’ para as empresas de transporte em Ribas do Rio Pardo. Isso, porque o parlamentar seria dono de uma dessas empresas.

Inclusive, teria transferido a empresa para o nome da esposa. A conversa com o prefeito teria ocorrido na tentativa de direcionar licitação, para aquisição de veículos escolares.

O caso foi levado até a Polícia Civil, que instaurou inquérito. Em reunião no gabinete do prefeito, o vereador ainda teria deixado claro o interesse na contratação da empresa e também teria conversado com licitantes durante o certame.

O que o MPMS aponta é que o vereador teria deixado clara a intenção de ser favorecido na licitação. Ainda mais, haveria vídeo em que ele foi gravado pedindo vantagens indevidas, indiretamente.

A ação tramita na Vara Única de Ribas do Rio Pardo, com as acusações de corrupção passiva e advocacia administrativa.

O Midiamax contatou o prefeito Danieze sobre os fatos e também sobre a operação recente do (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). O chefe do Executivo municipal afirmou que não vai se manifestar no momento.

Sobre a ação contra o vereador, afirmou que as informações necessárias estão disponíveis nos autos e se reserva ao direito de não comentar o caso.

Operação Tangentopoli

Na última quarta-feira (16), três vereadores de Ribas do Rio Pardo e o ex-prefeito, José Domingues Ramos, o Zé do Cabelo (PSDB), foram alvos de cumprimento de mandados de busca e apreensão. Eles são citados em um esquema de corrupção envolvendo os dois poderes.

(Divulgação, Gaeco)

Além de Tiago do Zico e José, também foram alvos os vereadores Anderson Arry (PSDB) e o Nego da Borracharia (PSD). Na casa de Tiago, os policiais do Gaeco encontraram e apreenderam R$ 88,4 mil.

Ainda segundo o Gaeco, a operação apura caso de corrupção envolvendo o ex-prefeito e vereadores. O grupo teria recebido propina para arquivar comissões parlamentares instaladas para apurar eventuais crimes de responsabilidade.

Além disso, também favoreciam proposições do Executivo. No decorrer das investigações, crimes eleitorais foram identificados e devem ser avaliados pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral).

O que diz o vereador

Em contato com o advogado de Tiago, Paulo Bernardes, ele afirmou que no momento a defesa se reserva à nota divulgada no dia da operação pelo parlamentar. Também que o procedimento está em sigilo e que os investigados devem ser ouvidos nos próximos dias.

Na nota oficial, o vereador afirma que a denúncia é infundada e que resposta já havia sido dada em 2021. Em relação ao dinheiro apreendido, o parlamentar alega que é de origem lícita.

Trata-se de origem comprovadamente lícita, fruto de árduo trabalho de quase duas décadas, que foram sacados recentemente de caderneta de poupança para integração de capital de giro nas atividades empresariais de Tiago, devidamente comprovado em farta documentação e extrato bancário, uma vez que a conta corrente de sua empresa se encontra bloqueada para movimentação desde março deste ano, em virtude de decisão judicial interlocutória em uma ação de Medidas Protetivas em trâmite nessa Comarca, e também pelo curso de uma ação de Dissolução de União Estável, que tramita em segredo de justiça”, diz trecho.