Entre os presos da operação Turn Off, deflagrada nesta quarta-feira (29), estão duas servidoras do Governo de Mato Grosso do Sul. Simone de Oliveira Ramires Castro é uma das pregoeiras da SAD-MS (Secretaria de Estado de Administração) e Andrea Cristina Souza Lima já atuou como gestora de contratos na SED (Secretaria de Estado de Educação).

A operação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e Batalhão de Choque, combate esquema de corrupção. As investigações têm como foco fraude em licitações por parte de órgãos do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

No total, sete pessoas foram presas na manhã desta quarta-feira (29) durante o cumprimento dos mandatos. Entre elas, o secretário-adjunto de Educação, Edio Antônio Rezende de Castro. Um oitavo alvo não foi encontrado pelas equipes policiais.

Servidora há mais de 15 anos

Em pesquisa realizada pelo Jornal Midiamax, Simone de Oliveira Ramires Castro aparece como servidora do Governo do Estado desde pelo menos 2007. Existem registros de Simone no Diário Oficial do Estado há 16 anos, entre eles indicações para comissão especial de licitações.

Atualmente, a servidora ocupa o cargo de direção gerencial superior e assessoramento CCA-006. A última folha de pagamento lançada no Portal da Transparência é de outubro, quando a servidora presa registrou R$ 14.882,48 em remuneração fixa.

Até dezembro de 2022, Simone tinha dois cargos cadastrados no Portal da Transparência. Sendo que a remuneração fixa de técnico organizacional era de R$ 3.650,26, com remunerações eventuais de até R$ 4,8 mil.

O segundo cargo era de direção executiva superior e assessoramento. Neste, Simone recebia R$ 4.670,77 de remuneração fixa. Ela já foi presidente em comissões de processos licitatórios e é uma das pregoeiras da SAD.

Mudança de cargo

Andrea Cristina Souza Lima também foi presa durante a operação. Segundo o Portal da Transparência, até dezembro de 2022 a servidora ocupava cargo em direção especial e assessoramento.

A remuneração fixa dela era de R$ 9.349,99 até o final do ano passado. Em 2023, a servidora passou a ocupar o cargo de direção gerencial superior e assessoramento CCA-07 na SED. Assim, a remuneração fixa dela passou a ser de R$ 11.739,20.

dólares operação
Dinheiro foi apreendido na manhã desta quarta-feira (29). (Reprodução/ Gaeco)

Presos na operação

Além do secretário-adjunto de Educação, Edio Antônio Rezende de Castro e da responsável pelas licitações na SAD-MS (Secretaria de Estado de Administração), Simone de Oliveira Ramires Castro, outras cinco pessoas foram presas.

A maioria servidores públicos, são: Thiago Haruo Mishima, Andrea Cristina Souza Lima, Paulo Henrique Muleta Andrade (da Apae), Victor Leite de Andrade e Sergio Duarte Coutinho Júnior. Um oitavo alvo da operação não foi encontrado.

Notas de dólares e euros foram apreendidos durante busca e apreensão. Durante a operação, foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva e 35 mandados de busca e apreensão.

R$ 68 milhões em contratos investigados

Ainda segundo a investigação, o grupo criminoso fraudava licitações públicas para compra de aparelhos de ar-condicionado para a SED (Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul), também a locação de equipamentos médicos hospitalares e elaboração de laudos pela SES (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul).

Também foi fraudada licitação para aquisição de materiais e produtos hospitalares para pacientes da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Campo Grande, além de outros. Os crimes foram cometidos com pagamento de propina a vários agentes públicos.

Os contratos já identificados e objetos da investigação ultrapassam R$ 68 milhões.