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Transparência

PF flagrou Waldir Neves cobrando propina até em contrato de café e água do TCE-MS

Conselheiro afastado do cargo sabia sobre a propina, que era paga em Pix, segundo a PF
Adriel Mattos -
Waldir Neves
Conselheiro Waldir Neves foi afastado por ordem do STJ. (Foto: Divulgação/TCE-MS)

Investigações da PF (Polícia Federal) apontaram que o conselheiro Waldir Neves cobrou propina de um empresário dono de uma fornecedora de café e água mineral para o TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul). Ele foi um dos alvos da Operação de Ouro, deflagrada na quinta-feira (8).

Neves, o corregedor-geral Ronaldo Chadid e o presidente Iran Coelho das Neves foram afastados dos cargos por 180 dias e foram obrigados a usar tornozeleira eletrônica. A PF pediu a prisão dos três, mas o MPF (Ministério Público Federal) foi contra e o ministro Francisco Falcão, do STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu pelo monitoramento eletrônico.

A decisão de Falcão cita diversos trechos de relatórios da PF, que teve autorização para monitorar conversas de dois assessores de Neves, João Nercy Cunha Marques de Souza e William das Neves Barbosa Yoshimoto. A dupla era responsável por receber a propina.

Para a PF, o conselheiro “tinha ciência de que seus assessores cobravam e recebiam recursos de empresário que fornece insumos ao TCE-MS”. William Yoshimoto já tinha sido alvo da primeira fase da operação, a Mineração de Ouro, deflagrada em junho de 2021.

Celulares foram apreendidos e periciados

Naquela ocasião, os telefones celulares de Neves, William e João Nercy foram apreendidos e periciados pela CGU (Controladoria-Geral da União). Ao analisar conversas no aplicativos de mensagens instantâneas WhatsApp, foi constatada a cobrança de propina de William ao empresário Leonardo Primo de Araújo.

Segundo a apuração, a empresa L & L Comercial e Prestadora de Serviços recebeu R$ 316,1 mil do TCE entre 2018 e 2021. O pedido de pagamentos começou em 10 de maio de 2021 e, dois dias depois, o empresário realizou uma transferência Pix de R$ 5 mil para William.

Em um grupo intitulado “Sócios Nova Mineradora”, William compartilha comprovante da transferência Pix de Araújo. Vanildo Neves, irmão do conselheiro e ex-vice-prefeito de responde: “E [sic] cara de pau mesmo”.

Foto: Reprodução/STJ

Vanildo, que também foi vereador da cidade e assessor do governo de Mato Grosso do Sul, foi alvo da primeira fase da operação no ano passado. Ele não está entre os citados nesta etapa da investigação.

Assessores pagavam despesas pessoais de conselheiro

Em outro trecho do relatório, William conversa com João Nercy, para o qual envia uma planilha. Para a PF, trata-se de “relações de despesas que, aparentemente, são da casa, escritório e fazendas de Waldir Neves”.

Prossegue o documento apontando que “William e João Nercy são responsáveis pela administração e controle das despesas pessoais do conselheiro Waldir Neves, o que inclui gastos de casas, escritórios, fazendas etc.”

Em relação à planilha, “o arquivo em questão é composto por dez abas de planilhas, cada uma contendo informações diversas. A primeira aba traz a informação de que ‘Arquiteto’ (não identificado) teria aportado R$ 25.000,00 para custear as despesas de Waldir Neves, enquanto os gastos do período totalizaram R$ 25.250,08”.

Esse arquivo tinha uma outra planilha com entradas de que totalizam R$ 198 mil. A PF não conseguiu apontar exatamente quem são as fontes do recurso, deixando apenas suspeitas, já que há apenas abreviações ou apelidos.

Porém, a alcunha “Negão” da planilha “seguido do valor de R$ 5.000,00, se refere ao sócio proprietário da empresa L&L Comercial e Prestadora de Serviços, Sr. Leonardo Primo de Araújo”. Para comprovar a teoria, a PF apresentou o print de uma conversa no grupo.

Nela, Vanildo se refere a “Leonardo negão” (sic). A conversa foi em 6 de maio de 2021. A resposta não teve o autor identificado.

Foto: Reprodução/STJ

Entre os dois dias que Leonardo começou a ser cobrado e a efetivação do pagamento, William e João Nercy discutiram a questão. No diálogo interceptado pelas autoridades policiais, William envia print em que o empresário, mas que ainda não teria pago.

Em seguida, William pergunta ao grupo: “Adivinha quem???”. Aqui, a PF reproduz a sequência da conversa. João Nercy disse que “sabia” que Leonardo ainda não teria pago.

Waldir Neves
Foto: Reprodução/STJ

“Como se observa, William, João Nercy e Vanildo discutem assuntos relacionados com a Mineradora Betione, porém o que mais chamou atenção foi a conversa que envolveu o pagamento de suposta propina pelo fornecedor de café a água mineral ao TCE-MS”, conclui a PF.

Waldir Neves sabia da cobrança de propina

Em seguida, o relatório traz trecho que demonstra que o conselheiro sabia que seus assessores cobravam propina. Para isso, foi reproduzido trecho da conversa em que Neves supostamente pergunta se Leonardo já havia pago.

Diálogo de 31 de maio, o conselheiro pergunta a João Nercy se “Negão compareceu”. O assessor responde que sim, mas que “prorrogou p amnha”. A PF ressalta nesse trecho o pagamento de R$ 5 mil do empresário a William.

Foto: Reprodução/STJ

João Nercy teria cobrado o empresário no dia 28 de maio, uma sexta-feira. A conversa entre Neves e o assessor foi em 31 de maio, uma segunda-feira. “Do exposto, fica evidente que Waldir Neves tinha ciência de que seus assessores cobravam e recebiam recursos de empresário que fornece insumos ao TCE-MS”, diz o relatório.

Ministro conclui que houve prática de corrupção de assessores de conselheiros

A pedido da PF e do MPF, o ministro do STJ concedeu mandados de busca e apreensão nos endereços do empresário.

Para Falcão, “há fortes indícios do envolvimento do Conselheiro Waldir Neves Barbosa, juntamente com seus assessores Willian das Neves Barbosa Yoshimoto, João Nercy Cunha Marques de Souza, na suposta prática do crime de corrupção envolvendo o empresário Leonardo Primo de Araújo, sócio proprietário da empresa L&L Comercial E Prestadora de Serviços, que possui contratos com o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul, desde o ano de 2015, para fornecimento de água mineral, café, açúcar, álcool gel, entre outros produtos”.

A decisão do ministro foi assinada na quarta-feira (7), véspera da operação. O processo continua sob sigilo.

Outro lado

O Jornal Midiamax procurou o TCE-MS, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

À reportagem por telefone, o empresário Leonardo Primo de Araújo negou que a L&L tenha sido contratada do tribunal. “Não tenho contrato muito menos qualquer contato com eles [TCE]. É indevida essa citação, mas vou esclarecer tudo”, afirmou.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Vanildo Neves, William Yoshimoto e João Nercy Cunha. O espaço segue aberto para manifestação.

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