Política / Transparência

Responsável pelo HRMS, Funsau aumenta em mais de 86% os gastos na pandemia

Material de consumo disparou na comparação entre janeiro e maio de 2020 e de 2021

Humberto Marques Publicado em 05/05/2021, às 07h56

HRMS é parte da Funsau
HRMS é parte da Funsau - Chico Ribeiro/Subcom/Arquivo

A Funsau (Fundação de Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul) registrou um aumento de quase 90% nos gastos registrados em 2021, na comparação com o mesmo período do ano passado. O órgão, que entre seus tutelados tem o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), viu as despesas –e receitas– subirem na mesma velocidade com a qual o coronavírus se transformou em problema crônico de Saúde Pública.

As informações saltam de comparativo feito pelo Jornal Midiamax apenas com os dados da Funsau divulgados no Portal da Transparência do Governo de Mato Grosso do Sul. Apenas a análise dos empenhos –que compreendem o “compromisso” de pagar por um bem ou serviço encomendado– saíram de R$ R$ 17.735.551,80 entre 1º de janeiro e 3 de maio de 2020 para R$ 23.557.878,44 no mesmo período deste ano.

Há outra diferença a ser levada em consideração entre os períodos: em 2020, a população começava a conhecer os efeitos da pandemia. Para se ter uma ideia, em 4 de maio de 2020, o Estado somava 274 casos confirmados de Covid-19, com 10 óbitos registrados. Um ano depois, o boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde nesta terça-feira (4) totalizou 251.369 casos confirmados (91.740% a mais), com 5.852 mortes (aumento de mais de 58.000%).

Também nesse período, o socorro federal ao Estado chegou a R$ 848 milhões, sendo a maior delas de R$ 715 milhões em recursos que não precisariam, necessariamente, ser aplicados no enfrentamento ao coronavírus –ajudando a dar gás ao caixa estadual.

Valores empenhados pela Funsau entre 1º de janeiro e 3 de maio de 2020

A diferença entre os empenhos da Funsau no ano passado e neste, de R$ 5.842.326,64, equivale a 32,9% da previsão de gastos para 2020. Contudo, o avanço nesses compromissos ainda é inferior àquilo que efetivamente foi pago pela Funsau. Em 2020, do valor empenhado, R$ 7.269.025,11 foram pagos aos credores.

Em 2021, o total empenhado e pago saltou para R$ 11.422.850,41 no período apurado, uma diferença de modestos 57,14% entre os valores, ou de R$ 4.153.825,30 em relação a 2020.

Empenhos, liquidações e pagamentos da Funsau em 2021

Diferença de gastos com material de consumo chegou a 86,8% no período

A distância entre as despesas de 2020 e 2021 na Funsau fica ainda mais acentuada ao se analisar os gastos com material de consumo –que inclui insumos, medicamentos, material de uso contínuo e outros itens necessários para o funcionamento do HR, por exemplo. Se entre os empenhos houve avanço de 35,85% (de R$ 11.892.932,37 para R$ 16.516.587,48), entre os pagamentos a diferença foi de 86,8%.

Neste ano, já foram pagos R$ 7.852.372,96 a fornecedores da Funsau, frente os R$ 4.202.610,84 do mesmo período de 2020. A diferença é de R$ 3.649.762,12.

Os valores a mais podem encontrar diferentes justificativas: desde a necessidade de se contar mais rapidamente com os produtos, o aumento nos preços de medicamentos utilizados, principalmente, no enfrentamento à pandemia de coronavírus, e a necessidade de se comprar itens em maior quantidade.

O perfil de gastos de materiais de consumo também mudou. As 3 principais despesas de janeiro ao início de maio de 2020 foram fármacos (R$ 609.410,70, adquiridos da Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S.A; e R$ 307.368 empenhados junto a CM Hospitalar S/A) e alimentos (R$ 573.485 empenhados com a Probio Produtos e Serviços Nutricionais).

Neste ano, o primeiro lugar segue com os materiais farmacológicos (R$ 648.750 já pagos à Inovamed Comércio de Medicamentos Ltda.), mas o segundo e terceiro lugares envolvem o fornecimento de gás engarrafado –especificamente oxigênio, sendo R$ 526.500 empenhados junto a Oxi Morena Comércio de Oxigênio e R$ 406.667,70 com a Oxigênio Modelo Comércio de Gases Ltda. ME.

O uso de oxigênio se intensificou com o avanço da pandemia de coronavírus, já que muitos pacientes dependem de auxílio respiratório diante do comprometimento dos pulmões.

Gastos com terceirizados cai, mas empresa segue liderando despesa

Se as despesas com material de consumo dispararam na pandemia, o mesmo não ocorreu com os serviços de terceiros prestados por pessoas jurídicas. Os empenhos registraram alta de modestos 0,74%, saindo de R$ 4.847.950,79 para R$ 4.888.301,43, ou R$ 36.350,64 a mais.

Contudo, os pagamentos encolheram 33,6%, fechando em R$ 1.684.203,28 entre janeiro e o início de maio deste ano e R$ 2.539.646,02 no mesmo período de 2020, redução de R$ 855.442,74.

Uma coisa permaneceu a mesma na comparação entre os dois períodos: a principal despesa terceirizada junto a empresas na Funsau segue com a Servan Anestesia e Tratamento de Dor de Campo Grande, contratada a título de serviço médico-hospital, odontológico e laboratoriais. Os empenhos para a empresa que atua no serviço de anestesia, nos 2 anos, chegaram a R$ 447.750 cada um –com tal valor totalmente liberado em boa parte das vezes.

Jornal Midiamax