Política / Transparência

Depois de 18 anos, MPMS abre novo inquérito para apurar superbactéria no HRMS

Em 2003, assunto foi apurado após surto que matou 32 pacientes

Aliny Mary Dias Publicado em 04/08/2021, às 17h13

Assunto será novamente investigado pelo MPMS
Assunto será novamente investigado pelo MPMS - Foto: Governo MS, Divulgação

O MPMS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul) instaurou inquérito para apurar a existência de superbactéria no HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) e a falta de antibióticos para combater o germe, principalmente no período da pandemia. No fim do mês passado, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) informou que a compra de 33,7 mil doses do medicamento Polimixina B duraria de 6 meses a 1 ano no estoque do hospital. 

A denúncia que motivou a abertura do inquérito foi feita de forma anônima na Ouvidoria do órgão. A investigação será tocada pela 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande. 

O mesmo assunto já foi alvo de investigação há 18 anos, quando 32 pacientes morreram no HRMS vítimas da superbactéria P. aeruginosa. Em 2003, pacientes não resistiram ao contrair o germe e situação virou caso de investigação pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), mas acabou sendo arquivado em 2004 e ninguém foi punido. 

Na investigação iniciada no fim deste mês, a promotoria também deve apurar a relação da compra de antibióticos para conter a bactéria. A denúncia levanta suspeita sobre a quantidade de doses compradas no último pregão aberto pela prefeitura, 33,7 mil doses. Para o denunciante, o número elevado de doses indicaria um novo surto causado pela superbactéria no hospital. 

Em contrato firmado no mês passado, o Governo formaliza a compra de 33.750 mil frascos do Polimixina B, no valor de R$ 1.686.825,00. A responsável pelo abastecimento do estoque do medicamento será a Farma Medical Distribuidora De Medicamentos e Correlatos Ltda. A entrega deve acontecer nos próximos 15 dias.

O que diz a SES

Em nota encaminhada ao Jornal Midiamax no fim do mês passado, a SES disse que a presença da bactéria não é "nenhuma novidade", pois se trata de um patógeno que está presente em muitos hospitais, principalmente quando há a presença de pacientes críticos, tempo prolongado de internação e pacientes que necessitam de  ventilação mecânica.

"A CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar) tem o controle de pacientes com necessidade de isolamento, e faz acompanhamento diário dos agentes causadores dessas infecções tomando medidas para controle das mesmas. A Polimixina é uma das armas terapêuticas utilizadas para controle de alguns desses patógenos. O aumento das infecções por essas bactérias se deu, entre outras coisas, devido ao aumento da quantidade de leitos de UTI que foi necessário no período da pandemia para atender as mais de 7 mil pessoas que foram internadas no hospital diagnosticadas com Covid", explicou a SES. 

Por fim, esclareceu que as 33,7 mil doses foram adquiridas com base no cálculo de consumo histórico recente e estimativas para os próximos 6 meses a 1 ano. "Que mesmo em uma eventual diminuição nos casos de Covid as internações decorrentes dos casos Covid são demoradas e necessitam de grande quantidade de medicação. Essa medicação será importante apesar de uma eventual diminuição do Covid", pontuou.

Jornal Midiamax