Não é de hoje que a militância eleitoral em mantém vínculos pouco republicanos. Assim como outras vertentes do crime organizado, o narcotráfico mantém tentáculos firmes em agremiações e instâncias do poder público.

Recente prisão que chamou a atenção em acabou expondo mais um destes pontos de relação entre ilícito e poder.

Desta forma, relatórios de inteligência que supostamente serão cirurgicamente ignorados registrariam o vínculo político-partidário entre operação sul-mato-grossense de narcotráfico doméstico e grupo com atuação em tempos de campanha eleitoral.

Segundo relatado, em troca dos favores eleitorais, elo seria irmã que supostamente tinha ‘cota' de cargos públicos. Para ao menos 5 vagas, ela decidiria titulares e até o cumprimento (ou não) do expediente.

Churrascada: políticos e donos de bocas de fumo

A área de ‘influência' da jovem senhora ficaria no entorno de avenida famosa que liga bairros entre as regiões sudeste e sudoeste campo-grandenses. Nos constantes churrascos reunindo os membros do grupo, eram comuns flagras de donos de bocas de fumo e apenados do semiaberto.

No entanto, apesar da prisão recente, informações são de que o grupo de militância eleitoral em Campo Grande tinha perdido espaço havia alguns meses.

Assim, analistas de inteligência dizem que o fato é indício de como as estruturas de poder paralelo são alimentadas com vazamentos de informações privilegiadas. É como monitoram procedimentos em andamento em MS.

Desta forma, grupo de influência eleitoral teria começado o ‘expurgo' antes mesmo de a bomba que não conseguiram segurar estourar.

Na prática, esquema não difere da picaretagem comum a outros grupos de influência eleitoral que se formam como efeito dos pontos fracos no sistema representativo brasileiro.

Script da militância eleitoral corrompida em Campo Grande

Além disso, para explorar falhas sociais estruturais e manter o ‘cabresto político moderno' o método recorreria a recursos coercitivos comuns em Campo Grande e no restante do Brasil:

  • aos servidores públicos:
    • status, prestígio e proteção nas repartições, com flagrante favorecimento por ser das ‘panelinhas' ou apadrinhado, por ‘ser do grupo';
    • favorecimento financeiro através de nomeações, chefias e adicionais capazes de mais que dobrar os salários para os quais originalmente passaram em concurso;
  • aos empreendedores e cidadãos:
    • acesso a pequenos favores administrativos em órgãos públicos e autarquias que são dever das estruturas públicas, mas em muitos casos são dificultados pela burocracia;
    • favorecimento direto e indireto aos mais ‘próximos', que podem envolver fraude em processos públicos como licitações, licenciamentos, fiscalizações, etc.;
  • aos mais pobres e menos qualificados:
    • distribuição de nomeações públicas precárias aos mais vulneráveis, que podem ser revogadas a qualquer momento se a ‘fidelidade' ao grupo fraquejar;
    • indicações de empregos e subempregos para futuros cabos eleitorais nas empresas que integram ‘o grupo', geralmente atuando em contratos públicos com demanda por mão-de-obra pouco especializada;
    • acesso a serviços temporários com muitas vagas e baixa remuneração durante as campanhas eleitorais;
    • ajuda financeira indireta com acesso a programas assistenciais aos quais teriam direito pela situação de vulnerabilidade, porém oferecidos como uma ‘benesse';
    • por fim, ajuda financeira direta em casos extremos;

Esquema profissionalizou militância e enterrou lideranças

Com este script, se estabelece um ciclo que, segundo dirigentes partidários mais antigos, corrompe e atrai integrantes para os tais grupos de militância eleitoral em Campo Grande de forma sistemática e profissionalizada.

Ou seja, muitos entram com objetivos republicanos sinceros, mas todos acabam corrompidos e se mantêm nestas estruturas visando lucro próprio imediato e não o bem comum.

Desta forma, para fechar o ciclo, o sistema que profissionalizou a militância eleitoral em Campo Grande oferece:

  • a todos, como espécie de ‘objetivo maior'
    • promessa de espaço e ajuda para projeção eleitoral aos membros considerados ‘bons de conversa' ou que já exerçam algum tipo de liderança (eclesiástica, comunitária, classista, etc.)

Segundo decano que durante décadas acompanhou este ciclo em posição parlamentar privilegiada, esta estrutura profissionalizada de corromper as militâncias em Campo Grande seria uma explicação plausível para o flagrante vazio de lideranças renovadas.

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