Política / Justiça

Justiça cancela edital de Dobashi e Mazina que trocava donos da Santa Casa

O juiz Amaury Kuklinski alegou subversão do Direito por parte de Beatriz Dobashi, Secretária Estadual de Saúde e Leandro Mazina, Secretário Municipal de Saúde, que assinaram o documento.

Arquivo Publicado em 20/11/2012, às 20h46 - Atualizado em 13/07/2020, às 10h41

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O juiz Amaury Kuklinski alegou subversão do Direito por parte de Beatriz Dobashi, Secretária Estadual de Saúde e Leandro Mazina, Secretário Municipal de Saúde, que assinaram o documento.

O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) suspendeu o edital publicado no jornal Correio do Estado que alterava a lista de membros da ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande – Santa Casa) substituindo associados históricos basicamente por servidores públicos em cargos de comissão e pessoas ligadas ao governador André Puccinelli, e ao prefeito Nelson Trad Filho.


O juiz Amaury Kuklinski alegou subversão do Direito por parte de Beatriz Dobashi, Secretária Estadual de Saúde e Leandro Mazina, Secretário Municipal de Saúde, que assinaram o documento. O edital tentava impor nomes de aliados na associação que poderia escolher a nova diretoria da entidade e, indiretamente, quem controlaria a Santa Casa.


 A alegação é de que o os interventores e o grupo por eles nomeado, contendo inclusive o governador do Estado, André Puccinelli, “nada mais é que a tomada do controle da associação à força”.


O juiz salienta que o Estatuto da ABCG, estipula, no art. 11 e seguintes as formas associativas possíveis e os requisitos para tanto, que nada tem a ver com as publicações anexas, ao primeiro exame.


O prazo para a manifestação da Junta Interventiva sobre o caso é de 15 dias.



“Nomeações”


Na lista montada pelos secretários chamam a atenção nomes conhecidos da atual administração do governo do estado, como a secretária de Administração, Thie Higushi Viegas dos Santos, o diretor da Funsau, Ronaldo Perches Queiroz, e o próprio governador André Puccinelli. No total, são duzentos e dez nomes.


Além da presença em peso de aliados do governador e do prefeito, ambos do PMDB, membros históricos da Associação, como o ex-governador Wilson Barbosa Martins, o ex-senador Valter Pereira, e até o atual presidente com eleição registrada em ata, Wilson Teslenco, curiosamente ficaram fora da lista de “Atualização” montada por Dobashi e Mazina.


O estatuto da ABCG prevê que a inclusão de novos sócios só é possível por proposta escrita de pelo menos um associado, depois de aprovação unânime no Conselho Administrativo e a exclusão de qualquer associado só pode ser decidida pela Assembléia Geral.


Outro caso interessante é o do ex-big brother Dilson Walkares Rodovalho Filho, que, para se tornar associado, é citado no edital como “Dilson Madmax Walvares Rodovalho”. Além de ter o nome artístico estranhamente enxertado no documento oficial, ele também foi nomeado em cargo de comissão na Secretaria de Estado de Governo em abril de 2011.

Jornal Midiamax