Jeferson Bruno morreu enquanto trabalhava, no momento em que retirava um cliente da casa noturna após o mesmo ter passado a mão nas nádegas de um garçom e proferir palavras de cunho racista. A primeira audiência será no dia 5 de maio.

Familiares e amigos do segurança Jeferson Bruno Gomes Escobar (23), morto na madrugada do dia 19 de março numa boate na região central de Campo Grande, fizeram um manifesto neste sábado no cruzamento da avenida Afonso Pena com a rua 14 de julho.

O estudante de direito Christiano Luna Almeida está preso, acusado pela morte do segurança. Mesmo caído, ele desferiu chutes que quebraram duas costelas e teriam causado a morte de Bruno.

As faixas continham os dizeres “Christiano, o senhor matou um jovem cheio de sonhos, de projetos e destruiu uma família inteira, Justiça”, “Quantas vítimas esse rapaz ainda fará para continuar preso, Justiça já”, “Brunão, o segurança assassinado em frente ao Valley Pub, queremos justiça”. O principal motivo do protesto, segundo o pai de Bruno, João Márcio Escobar, é que o caso não caia no esquecimento.

Márcio também entregou uma carta que escreveu, intitulada de “O esquecimento é o adubo que nutre a impunidade” de Wesley E. Hayas. Na carta ele cita a irresponsabilidade de praticantes de artes marciais, falta de limite imposta por pais, e o Código Penal, que segundo ele é ultrapassado.

“Hoje faz 20 dias que o meu filho morreu, dizem que com o tempo vai amenizando, só que comigo tem sido ao contrário, fazem vinte dias que eu não durmo, minha mãe com quem o Bruno morava deve ter envelhecido uns 20 anos”, diz o pai do segurança que morava com a avó, a dona Marina Escobar, 72, desde os 9 anos de idade.

No próximo dia 19 deste mês às 18h, familiares, amigos, torcidas organizadas do Palmeiras em Campo Grande e a Falange Vermelha (torcida do Comercial), farão outra manifestação com faixas, cartazes e distribuição de panfletos.

Jeferson Bruno Gomes Escobar morreu enquanto trabalhava, no momento em que retirava Christiano da casa noturna após o mesmo ter passado a mão nas nádegas de um garçom por duas vezes além de proferir palavras de cunho racista. Por esse inquérito, o autor responderá por injúria qualificada por racismo.

Dia 5 de maio às 13h30 ocorrerá a primeira audiência do caso, quando testemunhas de acusação devem ser ouvidas. O processo está tramitando na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

Christiano Luna já teve um pedido habeas corpus negado. Luna está preso desde o dia da morte. O habeas corpus foi negado pelo desembargador Manoel Mendes Carli.