Os deputados estaduais de Mato Grosso do Sul discutiram nesta terça-feira (16) a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em visita a Campo Grande na última semana, quando ele pediu ao governador Eduardo Riedel (PSDB) a compra de fazenda para os indígenas Guarani em Dourados, distante 225 quilômetros da Capital.

Pedro Pedrossian (PSD) afirmou que a sugestão vem depois de 30 anos de conflitos e mais de 200 propriedades rurais invadidas no Estado. “Eles [indígenas] têm tratado os produtores rurais com desrespeito. Comprar uma outra fazenda não é a solução correta para o conflito de terras no Estado”, disse.

Pedro Kemp (PT) ironizou. “Vamos deixar como está então, deputado. Estamos há anos sem fazer nada sobre a questão, inclusive com o governo passado afirmando que não demarcaria nenhum centímetro de terra para os indígenas. O presidente veio mostrar, com a fala dele, a intenção de começar a resolver justamente esse problema de indenização de terras. Há muito tempo ninguém faz nada e todo mundo fica jogando a questão para debaixo do tapete”, comentou.

O deputado Zé Teixeira (PSDB) criticou a procura por uma fazenda, se já existem terras invadidas esperando indenização. “Eu respeito o presidente. Mas o que ele disse sobre encontrar fazenda, não precisa encontrar. Temos um mote aqui esperando indenização”, disse. O parlamentar citou áreas em Juti e Douradina.

Agenda de Lula

Durante visita à planta da JBS em Campo Grande na sexta-feira (12) para abrir as exportações de carne para a China, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou sobre pescaria, confundiu o Estado com ‘Mato Grosso’, mas se corrigiu em seguida, e provocou o governador Eduardo Riedel (PSDB) a comprar terras para o povo Guarani em Dourados, distante 225 quilômetros de Campo Grande.

Ao final do discurso, o presidente lançou um desafio ao governador. “Vamos nós, juntos, comprar em sociedade uma terra pra salvar aqueles Guarani que vivem perto de Dourados. Quero lhe dizer que se você encontrar a terra, para que a gente recupere a terra daquele povo. O governo federal será parceiro”, comentou.

Riedel levantou e cumprimentou o presidente, que prosseguiu. “O que não dá é aquele povo ficar mendigando acesso à dignidade. Vamos dar àqueles indígenas, porque eles perderam a terra por falta de respeito a eles”.