O vereador Alírio Vilassanti (União Brasil) afirmou nesta quinta-feira (4) acreditar que não existe pedido de prisão sem motivo, após o vereador Claudinho Serra (PSDB) ser preso durante a terceira fase da Operação Tromper.

“A justiça determinou a prisão, deve ter as suas razões. Eu penso que o juiz não ia determinar uma prisão sem motivos. Uma prisão só pode ser feita se tiver uma materialidade e autoria. Ou seja, ser fundamentado”, afirmou.

Alírio ainda lamentou que a prisão tenha ocorrido enquanto Serra cumpre mandato de vereador de Campo Grande, apesar de ter sido preso por fatos ocorridos em Sidrolândia.

“Ainda mais envolvendo um membro dessa Casa. É sempre lamentável que tenha alguém envolvido nesse tipo de atitude. Lamentável”, disse Coronel Alírio.

Preso por suspeita de corrupção em contratos de Sidrolândia, da época em que era secretário de Fazenda, Serra estava no exercício de mandado de vereador na Capital após movimentações do grupo político ao qual pertence.

Derrotado nas urnas, Claudinho assumiu primeiro a vaga do vereador João Rocha (PP), que saiu da Casa para ser secretário de Governo de Campo Grande da prefeita Adriane Lopes (PP).

Ao retornar à Casa neste ano, Serra não ficou nem um dia sem o cargo, já que o vereador Ademir Santana (PSDB) saiu para ser o coordenador de campanha do pré-candidato tucano em Campo Grande, deixando, novamente, uma cadeira para Claudinho. O vereador assumiu a vaga de Santana há um mês.

Prisão de vereador

O vereador de Campo Grande Claudinho Serra (PSDB) foi preso preventivamente na quarta-feira (3) após mandado de prisão autorizado pela Justiça por suspeitas de esquema de corrupção, durante a terceira fase da Operação Tromper. Não foi encontrada arma durante busca e apreensão na casa do vereador, em um condomínio da Capital.

O parlamentar é ex-secretário de Fazenda, Tributação e Gestão Estratégica de Sidrolândia e um dos oito alvos de prisão da operação, comandada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e da Polícia Militar, que apura corrupção na prefeitura de Sidrolândia.

Foram autorizados o cumprimento de 28 mandados de busca e apreensão por suspeita de corrupção em contratos de asfalto, segundo divulgou o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul).

A investigação, tocada pela 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Sidrolândia, ratificou a efetiva existência de uma organização criminosa voltada a fraudes em licitações e contratos administrativos com a Prefeitura Municipal de Sidrolândia, bem como o pagamento de propina a agentes públicos municipais.

Também foi identificada nova ramificação da organização criminosa, atuante no ramo de engenharia e pavimentação asfáltica. Os contratos já identificados e objetos da investigação alcançam o montante aproximado de R$ 15 milhões.

A operação contou com o apoio operacional do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), do Batalhão de Choque e da Força Tática da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso do Sul, além da assessoria militar do MPMS.

Operação Tromper

Nas duas primeiras fases da Operação Tromper, os agentes investigaram corrupção na prefeitura de Sidrolândia, cidade distante 70 quilômetros de Campo Grande. Durante as investigações, foi descoberto, segundo o Gecoc, conluio entre empresas que participaram de licitações e firmaram contratos com a Prefeitura de Sidrolândia, que somados chegam a valores milionários.

Ainda segundo as apurações, também foi investigada a existência de uma organização criminosa voltada a fraudes em licitações e desvio de dinheiro público, bem como o pagamento de propina a agentes públicos, inclusive em troca do compartilhamento de informações privilegiadas da administração pública.

A reportagem tentou contato com o vereador Claudinho Serra, por telefone, e nenhuma ligação foi atendida. A prefeita Vanda também não atendeu as ligações.