Vereadores de prometem investigar o “cheiro de podridão” que assola a região do bairro Nova Campo Grande há anos. Moradores dos bairros Aeroporto, Vila Romana e Vila Popular pedem providências sobre a origem do mau cheiro.

O presidente da Comissão Permanente de Meio Ambiente da Casa de Leis, Zé da (Podemos), explica que está aguardando um parecer do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). O parlamentar também adianta que a Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) está trabalhando no local.

“Estou aguardando o parecer do Imasul que é quem tem que fiscalizar. A Semadur já iniciou um trabalho de fazer uma varredora na região para analisar se não existe alguma outra coisa clandestina por ali. O frigorífico pode, sim, causar mau cheiro e vamos sim verificar pessoalmente”, disse Zé da Farmácia.

O vereador Professor André Luis (Rede) também é membro da Comissão de Meio Ambiente da Câmara. O parlamentar disse que ficou sabendo das pela mídia, mas adianta que vai ao local verificar a situação.

“A gente precisa ir ao local fazer a verificação. Realmente, tecnicamente não pode ter mau cheiro. Eu vou conversar com os moradores para saber o que está acontecendo. A gente fica sabendo pela mídia. Infelizmente, ao invés do morador se dirigir a câmara dos vereadores, a gente fica sabendo isso através da mídia”, disse o professor André.

Protesto

A manifestação aconteceu no cruzamento da Avenida Cinco com a Duque de Caxias. O local foi escolhido por ser próximo ao frigorífico da JBS que, segundo os moradores, é uma das empresas responsáveis pelo odor.

No último dia 25, moradores realizaram um protesto. A manifestação aconteceu no cruzamento da Avenida Cinco com a Duque de Caxias. O local foi escolhido por ser próximo ao frigorífico da JBS que, segundo os moradores, é uma das empresas responsáveis pelo odor.

Morando há 35 anos na região do Imbirussu, Robson Fernandes conta que a manifestação não é contra as empresas, afinal, elas geram emprego para muitos moradores da região. A reclamação é contra o forte odor emitido por elas, que atrapalha diretamente o bem-estar dos moradores.

“É um cheiro podre, difícil de definir o que é”, conta Robson. “É uma mistura de muitos cheiros podres e químicos. Em alguns momentos, dá até ardência nos olhos”, pontua. “A gente não sabe exatamente o que é, mas uma providência deverá ser tomada, porque além do incômodo, estamos preocupados com a saúde da população”, explica.

Mau cheiro também vem de lagoa?

À reportagem, moradores apontam que o mau cheiro também vem de algumas lagoas de tratamento de resíduos de algumas dessas empresas.

O Parecer Técnico do Imasul Nº 212/2023 apontou que nessas lagoas da JBS “não há vestígios de resíduos ou extravasamentos oriundos da lagoa no solo”. Porém, há moradores que apontam que esses “piscinões” seriam uma das fontes do fedor.

No dia 23 deste mês, o Jornal Midiamax conversou com um engenheiro ambiental que explicou que essas lagoas podem emitir mau cheiro em uma intensidade que poderia ser sentida em bairros mais distantes, se levado em conta o tipo do tratamento. “Depende dos e sua direção, mas à noite as lagoas desprendem lodo do fundo devido à troca térmica”, explica.

Uma forma de amenizar a fedentina seria com o uso de aeradores. “Eles aumentam a eficiência do tratamento e reduzem drasticamente o odor. Mas também deve ser verificado primeiramente o pré-tratamento, peneiras e flotadores”, aponta.

Uma consultora em indústria de alimentos explicou que, geralmente, há até três lagoas que recebem a água utilizada na indústria para tratamento.

“Nessas lagoas, os microorganismos atuam na decomposição da matéria orgânica gerada durante o abate, resultando em uma água tratada, destinada à higienização de caminhões boiadeiros e lavagem de pátio”, detalha.

Contudo, ela pontua que essas lagoas de tratamento de resíduos atendem normas do Imasul e da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano).

No fundo dessas lagoas há uma lona feita de um material chamado Pead (Polietileno de alta densidade) que atua de forma impermeabilizante. “Embaixo delas, possui uma lona grossa específica para uso para não contaminar solo. São realizadas análises constantemente”, ela enfatiza.