Problema antigo na região do ganhou novo episódio nesta segunda-feira (26). Moradores foram até a Câmara Municipal, na tentativa de buscar soluções para o imbróglio, no Seminário do , que debate o assunto. Para eles, o saneamento e uma empresa de fertilizantes, são os principais responsáveis pelo mau cheiro no local.

Enfático em suas declarações, Jorge Manoel do Nascimento, de 57 anos, eletricista que mora no Parque do Sol há pelo menos 20 anos, diz que o problema é responsabilidade das empresas ao entorno.

“Lá fede e você não suporta. Dói, arde o nariz. O tratamento de água é muito precário. Você não consegue jantar, não consegue comer à tarde. A gente acorda 3h da manhã com o fedor, nossa casa enche de moscas. É melhor nem trazer gente em casa porque você passa vergonha. Apesar do bairro já ter evoluído muito, isso não muda. É uma luta em vão. Minha esposa já foi presidente do bairro, fizemos de tudo, estamos desanimados. Isso é por causa do saneamento precário e da Organoeste empresa de fertilizantes”, disse.

O jardineiro Paulo Sérgio Pires, de 45 anos, mora no Dom Antônio e compartilha da mesma opinião. Ele conta que embora a região tenha muito a ser resolvido, o forte odor é o principal aspecto. “O mau cheiro é uma das piores coisas, mas falta também, um posto policial, lá não tem segurança nenhuma. Acredito que o fedor é culpa da empresa de fertilizantes que tem lá”, afirma.

Na Justiça- Em agosto do ano passado, a empresa responsável por fazer a perícia nos oito bairros, entre eles Parque do Lageado e Los Angeles, para investigar se a empresa de fertilizantes Organoeste era responsável pelo mau cheiro na região, emitiu laudo pericial em que apontou falha na vedação do cheiro emitido pela empresa, mas não relacionou diretamente ao impacto para os moradores. Ao todo, 90 processos judiciais já foram abertos contra a empresa no mesmo sentido.

Presente no Seminário, o diretor de sustentabilidade da Organoeste, Diego Souza, disse que a empresa já chegou até a contratar uma consultoria para inspecionar a área, e ver se o mau cheiro vinha mesmo do local. “Sabemos que não é nosso, já fizemos um estudo para conferir de onde vinha e detectamos que não era da Organoeste. Tem vários processos em aberto que descartou essa possibilidade”, elencou.

Ao participar do debate, Catiana Sabadin, Subsecretária de Gestão e Projetos Estratégicos, disse que a prefeitura está elaborando uma estratégia para resolver os problemas dos moradores. No entanto, o início de aplicação do plano está previsto somente para daqui a três, quatro anos.

“Temos um recurso que estamos elaborando ainda, veio das emendas de bancadas, onde entra a e pavimento do parque do sol, e contará com cerca de R$ 15, a R$ 18 milhões. Estamos começando os estudos. Queremos fazer um programa integrado de investimentos e captar recursos. Começamos esse estudo hoje é a prefeitura tem como prioritário, investir na melhoria da infraestrutura do Anhanduizinho. Então começamos a trabalhar para tentar o financiamento. Queremos trabalhar habitação, asfalto, drenagem e fortalecimento para aquela região”, afirmou.

Próximo passo – O vereador André Luiz (Rede), propositor do Seminário, disse que vai acionar o poder executivo municipal, para debater soluções. “Agora vamos pegar esse diagnóstico e acionar o poder executivo, sentar e conversar sobre”, comentou.

Seminário – A Câmara Municipal de promove na segunda-feira, dia 26, o seminário “O Meio Ambiente e os Desafios do Bairro Lageado”. A discussão sobre o assunto foi proposta pelo vereador Prof. André Luis, presidente da Comissão Permanente de Mobilidade Urbana e integrante da Comissão de Meio Ambiente.

A abertura será às 8h e às 9h30 será feita roda de conversa com a comunidade. Em seguida, a discussão em relação ao tema “Lageado do futuro – O bairro que queremos”. O público, então, fará seus questionamentos.