Os filhos do ex-deputado (PT) usaram as redes sociais do parlamentar para publicarem uma nota de repúdio após o petista ser representado por Simone Lucena do Nascimento em uma homenagem. A mulher alega ter sido companheira de Amarildo, mas na contramão, a família do deputado nega os fatos.

Conforme a nota de repúdio, confirmada pelo Midiamax, que foi publicada pelos filhos do ex-deputado, a família alega que não foi convidada para a solenidade que aconteceu no dia 31 de julho na Acadepol (Academia da Polícia Civil Delegado Júlio César da Fonte Nogueira).

Na publicação, a família alega estar ‘indignada'. O evento contou com várias autoridades, mas nenhum familiar, incluindo os três filhos do ex-deputado, teriam sido convidados para participarem do encontro.

Segundo a nota de repúdio, Amarildo, que faleceu no último mês de março, era divorciado e deixou três filhos, dos quais o mais velho teria sido reconhecido pela Justiça como o único representante do espólio do ex-deputado.

Veja a nota abaixo:

Briga na Justiça

A morte de Amarildo abriu uma disputa entre os filhos do parlamentar de Mato Grosso do Sul e a companheira. Duas ações foram distribuídas à 1ª Vara de Família e Sucessões de Campo Grande.

O primeiro pedido de abertura de inventário foi feito em 20 de março, três dias após a morte do petista. Representado pelo advogado Gustavo Ubirajara Giachinni, o filho mais velho pediu para ser o inventariante dos bens do político, ou seja, o responsável por cuidar da herança.

“A estimativa do valor dos bens a inventariar dão à causa o valor de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais)”, escreveu o advogado.

No processo, Giachinni anexou a certidão de óbito de Amarildo. Conforme o documento, ele teve pneumonia grave, que acabou causando uma disfunção renal aguda. Por fim, faleceu por choque refratário, choque misto (séptico e cardiogênico) e insuficiência respiratória aguda.

Uma semana depois, o advogado Douglas Oliveira dos Santos se manifestou como representante da segunda filha e pediu que ela fosse incluída como parte da ação. A defesa alega que ela, e não o filho mais velho, cuidava dos bens do pai antes de sua morte.

“Prova disso é que a autora [filho mais velho] requereu que a guia de custas fossem pagas assim que possuir o acesso a administração financeira dos recursos do espólio, portanto, não há como dizer que o autor está na posse e administração dos bens se ele mesmo confessa que não possui a administração financeira referente ao espólio”, pontuou Santos.

Por fim, a mãe da filha caçula de Amarildo pediu para ingressar na ação. As duas representadas pelos advogados Claudio Santos Viana e Lilian Ribeiro Gomes.

Companheira também pede para administrar bens de Amarildo

Simone, que participou da solenidade, que alega ter sido companheira de Amarildo, também ingressou com ação de inventário de partilha, na mesma data que o filho mais velho, 20 de março. O advogado Péricles Duarte Gonçalves pede que seja expedido ofício ao do Brasil para localizar as contas dele.

A defesa da segunda filha também pediu para ingressar na ação da suposta ex-companheira, apontando que a mulher não apresentou documentos que comprovassem a união estável. Oficialmente, a companheira é divorciada, assim como Amarildo.

Morte de Amarildo Cruz

Amarildo Cruz tinha 60 anos e morreu em 17 de março. A causa do óbito não tinha sido divulgada pela família, e só veio à tona devido à disputa judicial pela herança. Ele teve pneumonia grave, que acabou causando uma disfunção renal aguda. Por fim, faleceu por choque refratário, choque misto (séptico e cardiogênico) e insuficiência respiratória aguda.

Na noite de 14 de março, ele se sentiu mal e foi internado no Hospital Proncor, em Campo Grande. No dia 17, não resistiu e morreu.

O deputado foi velado, ainda no dia 17, no Palácio Guaicurus, onde trabalhou por quase duas décadas. O corpo foi levado para Presidente Epitácio (SP), onde nasceu. Ele foi velado na Câmara Municipal. Mais de 500 pessoas passaram pelo local, até o sepultamento, no Cemitério Horto da Igualdade.

Amarildo Valdo da Cruz chegou a Mato Grosso do Sul aos 18 anos, em 1981, após ser aprovado em concurso para fiscal tributário estadual. Era graduado em Direito e em Ciências Contábeis, pós-graduado em Gestão Pública e especialista em Ciências de Direito.

Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores em 1984. Foi um dos fundadores e presidiu o Sindifiscal/MS (Sindicato dos Fiscais Tributários do Estado). No Governo do Estado, foi superintendente da Central de Compras.

Entre 2003 e 2006, foi diretor-presidente da Agehab (Agência de Habitação Popular), na gestão de José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT. Deixou o cargo para concorrer a deputado estadual, sendo eleito pela primeira vez.

Na eleição seguinte, em 2010, ficou apenas como primeiro suplente. Assumiu a superintendência do Ibama (Instituto Brasileiro do e dos Recursos Naturais Renováveis) no Estado em 2011.

Dois anos depois, foi convocado para assumir uma cadeira na Assembleia. Em 2014, conquistou mais um mandato nas urnas. Nesta legislatura, foi 2º secretário da Mesa Diretora.

Nas eleições de 2018, ficou novamente como suplente. Neste período, comandou a Unidade de Educação Fiscal da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda).

Foi empossado para o quarto mandato em 2021, após a morte do então deputado Cabo Almi, e na ocasião, se aposentou como fiscal tributário após 39 anos. No último pleito, em 2022, foi reeleito.