Os deputados estaduais João Henrique Catan (PL) e Rafael Tavares (PRTB) criticaram questões do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e o tema da redação deste ano durante sessão na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) desta terça-feira (7). Os parlamentares classificaram os temas como ‘esquerdistas’ e acabaram vaiados.

Catan usou a tribuna para criticar a prova que, segundo ele, era ‘ideológica’ e regida pelo governo Lula. “Essas questões do Enem incentivaram os alunos a dissertarem contra o agronegócio. A gente assistir isso é triste. Hoje o PIB está ligado diretamente ao agronegócio. O exame precisa estar livre de qualquer pauta. Precisa deixar que os alunos se questionem e só assim traremos uma evolução”, pontuou.

Tavares disse que a filha fez o Enem no domingo e foi vaiado após comentar. “A única forma de fazer minha filha ir bem nessa prova foi fazer ela ter o pensamento de uma pessoa esquerdista”, disse.

O deputado Pedro Kemp (PT) pediu parte, mas Catan não concedeu. Coronel David (PL) elogiou a abordagem de Catan e reforçou, dizendo que o agronegócio é o grande precursor da economia do país.

Após a fala, Kemp comentou elogiando o tema da redação. “Esse trabalho é invisível e não é remunerado. Esses alunos tiveram a oportunidade de sentar e pensar que existe uma mulher que trabalha e é invisível”.

Gleice Jane (PT) completou. “O Enem não obriga ninguém a seguir a regra. A redação argumentativa pode descordar do tema, o que se avalia é a capacidade de argumentar. O tema da redação traz à tona um tema importante. Trabalho doméstico não tem descanso. Não tem remuneração, não tem férias. E discordar disso é ideológico. Esse discurso que ignora as mulheres. Vamos parar com esse discurso de ‘ideologia’, porque ideologia também é democracia”, apontou.

Questões do Enem

A pergunta que mais chamou a atenção foi a de número 89, que trata da atuação do agronegócio no Cerrado. O texto traz fatores negativos do setor, como a “violência simbólica, a superexploração, as chuvas de veneno e a violência contra a pessoa”. As cinco alternativas disponíveis para resposta contêm outros elementos negativos que estariam relacionados com o agro, segundo apontam os parlamentares que criticaram as questões.

Já o tema da redação foi ‘Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil’.

Ao todo, são cinco os itens considerados na correção: domínio da escrita formal da Língua Portuguesa; compreender o tema e não fugir da proposta da redação; organização das ideias; coesão e coerência; e proposta de intervenção. Cada uma delas vale 200 pontos. 

O resultado máximo é 1.000 — que, em 2022, só foi atingido por 32 pessoas.